Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 18/07/2019
A criação de bancos de sangue não é novidade. Com a Segunda Guerra, fora necessário o surgimento desses como método de salvar militares e civis. Nota-se, pois, um ato baseado no altruísmo e benevolência. Contudo, no Brasil, os cidadãos não são ativos nesta prática. Isso porque a existência de obstáculos, como a falta de conscientização e a discriminação de homossexuais se fazem presentes e, logo, colaboram para o debate desta problemática.
Em primeira análise, é necessário destacar a ausência de conscientização. Para o filósofo Max Horkheimer, o ensino atual se pauta na razão instrumental, isto é, priorização de matérias cientificistas. À luz desse pensamento, logo, é possível depreender que pela doação estar associada a temáticas sociais e subjetivas, sua discussão e seu debate é negligenciado por instituições de ensino. Assim, alunos e futuros doadores, se tornam omissos do processo visto que pautas que tangem à saúde pública são isentas de seu cotidiano. Por fim, a importância e impacto das doações não são transmitidas para próxima geração.
Outrossim, o preconceito para com doadores homossexuais potencializa a problemática. Segundo o filósofo Edmund Burke, a sociedade tem fortes raízes com o passado. Destarte, de modo análogo, é possível depreender que devido à história brasileira ter sido moldade à mercê do conservadorismo, seus valores reverberam em inúmeros âmbitos como, por exemplo, a doação. Isso porque a restrição de um ano sem relações sexuais com homens, revela a inercial conjuntura passadista que ainda relaciona homossexualidade a promiscuidade. Finalmente, as consequências são negativas visto que, segundo o IBGE, cerca de 19 milhões de litros são desperdiçados, por esse critério.
Fica claro, portanto, que os obstáculos devem ser combatidos. Com o viés de conscientizar os futuros doadores, o Ministério da Educação, por meio de decretos do Executivo, deve tornar obrigatório o ensino da temática para os alunos, com o uso de palestras. Os Governos Municipais e Estaduais, por sua vez, devem investir parte dos subsídios anuais para arcar com o evento, além de empregar profissionais concursados da área para realizar a docência. Ademais, o Legislativo deve, por meio de projetos na Câmara, extinguir a portaria que restringe a doação pós um ano para homossexuais. Visa-se, com isso, ao fim da discriminação deste grupo em centros hematologicos. Somente assim, os óbices serão eliminados e a população doadora será, de fato, ativa.