Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 26/07/2019

De acordo com o Artigo 196 da Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado. No entanto, no cenário contemporâneo brasileiro, muitas pessoas têm esse direito desrespeitado todos os dias, quando necessitam de uma doação de sangue para viver. Isso ocorre porque o Brasil ainda enfrenta diversos obstáculos no campo da doação sanguínea, principalmente, pela divulgação de notícias falsas e falta de empatia da população.

Em primeira análise, é inegável que a veiculação das chamadas “fake news” contribui para limitar o número de doadores de sangue. Segundo Joseph Goebbles, “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Embora essa frase tenha sido utilizada em um contexto de guerra pelo ministro da propaganda de Adolf Hitler, ela resume, perfeitamente, a situação atual. A divulgação, sobretudo nas redes sociais, de notícias falsas acerca da doação de sangue, aliada à recusa por parte da população em buscar fontes confiáveis de informação faz com que essa parcela da sociedade acredite em malefícios oriundos da doação, como a transmissão de doenças, ou, até mesmo, que não podem doar sangue. Nesse caso, a quantidade de possíveis doadores, almejada pelo Governo, não é alcançada.

Em segunda análise, o individualismo da população brasileira colabora para agravar o problema. Segundo o escritor Franz Kafka, “A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Ainda que seja um sentimento extremamente importante para a manutenção de um equilíbrio coletivo, a solidariedade é uma característica pouco presente na sociedade brasileira. Em certos casos, mesmo com o conhecimento sobre o processo de doação, grande parte da população opta por não doar sangue, especialmente, pela falta de solidariedade e preocupação com o próximo. Essa opção tem enorme impacto no país, principalmente, nas mortes causadas pela falta de sangue nos hemocentros brasileiros.

Fica claro, portanto, que a doação de sangue enfrenta diversos obstáculos no Brasil. Para que esse problema seja minimizado, urge que o Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, intensifique as campanhas publicitárias sobre a doação sanguínea, visando, prioritariamente, eliminar as falsas informações sobre o processo de doação criadas pelas “fake news”. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) divulgue, nas escolas e nos diversos canais de comunicação, a importância da solidariedade e da preocupação com os demais, sobretudo, para o aumento do número de doadores de sangue. Somente com essas ações, as pessoas que dependem de uma doação de sangue para viver poderão ter seu direito à vida, que é garantido pela Constituição, respeitado.