Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 30/07/2019

De acordo com o Ministério da Saúde, menos de 2% da sociedade brasileira doa sangue regularmente. Embora a quantidade coletada anualmente seja considerada suficiente, o número de doadores é menor que o recomendado pela Organização das Nações Unidades, que é entre 3% e 5%. Nesse contexto, deve-se analisar como o individualismo e a falta de informação influenciam na problemática em questão.

O exacerbado individualismo é o principal responsável pelo escasso número de doadores de sangue no país. Isso acontece porque, na pós-modernidade, conforme defende o sociólogo Zygmunt Bauman na obra ‘‘Amor Líquido’’, as pessoas buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado e a maioria da população acaba, muitas vezes, não se importando com pessoas que precisam de transfusão sanguínea e, então, não contribui com um simples, porém grande, gesto de compaixão.

Além disso, nota-se, ainda, que a falta de informação sobre o processo de doação também é responsável pelos baixos índices de doadores.Isso acontece porque, segundo Naura Faria, chefe de atendimento ao doador do hemocentro coordenador do Estado do Rio de Janeiro, a doação de sangue no Brasil ainda é cercada de mitos. Muitas pessoas, por exemplo, acreditam – erroneamente – que, ao doarem uma vez, precisarão doar sempre. Ademais, também acreditam que poderão contrair alguma doença infecciosa durante a coleta e até engordar. Por consequência disso, o ato de doar sangue torna-se cada vez mais distante da realidade dos brasileiros.

Torna-se evidente, portanto, que a questão da doação de sangue no país precisa ser revista. Em razão disso, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina de Ética e Cidadania no currículo dos ensinos infantil, fundamental e médio. Tal disciplina, com o intuito de desconstruir o individualismo, deverá disseminar o hábito da empatia. Ademais, o Ministério da Saúde deve, nos meios de comunicação, disseminar propagandas que incentivem e informem à população sobre o processo de transfusão. Dessa forma, o Brasil poderá alcançar o número recomendável pela ONU e a doação de sangue deixará de ser uma problemática.