Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 31/07/2019
Conhecidos mundialmente pela simpatia com que tratam o visitante estrangeiro, os brasileiros são menos solidários com seus semelhantes, pelo menos quando o assunto é doar sangue. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, o Brasil doa proporcionalmente menos que outros países da região, como Argentina e Uruguai. Diante disso, deve-se analisar como o individualismo e a herança histórico-cultural agrava a problemática em questão.
É relevante enfatizar, a princípio, que o individualismo é o principal responsável pelo escasso número de doadores de sangue no pais. Isso acontece porque, conforme defendeu o sociólogo moderno, Zygmunt Bauman, as relações interpessoais tem ficado cada vez mais frágeis e superficiais. Em decorrência desse enfraquecimento dos laços afetivos, o individualismo é potencializado e a maior parte dos indivíduos acaba não se importando com aqueles que necessitam de transfusão sanguínea, ato pequeno, mas de grande importância.
Atrelado ao crescente individualismo, a herança histórico-cultural também é um problema a ser superado. Isso porque, diferente dos países desenvolvidos, como Japao e Estados Unidos, o Brasil nunca passou por grandes guerras ou catástrofes naturais, que poderiam ter criado na sociedade a compreensão da importância da doação sanguínea. Lamentavelmente, em vez da conscientização, sã criados estigmas, como o que se doar uma vez, tem que doar sempre ou que a doação faz engordar e contrair doenças. Por consequência disso, o ato de doar se torna mais distante da realidade dos brasileiros.
Torna-se evidente, portanto, que o individualismo e a herança histórico-cultural provocam a problemática em questão. Nesse sentido, é necessário que a mídia use seu poder de persuasão para atrair mais pessoas a doar sangue voluntariamente. Ademais, é pertinente que as prefeituras municipais, em parceria com escolas, invista em aulas e palestras públicas que demonstrem o valor da empatia e que descontruam os mitos envolvidos no ato da doação. Assim, o brasileiro além de demonstrar simpatia com o estrangeiro, poderá demonstrar afeição com o próximo.