Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 05/08/2019
Sabe-se que, com o avanço da medicina, as transfusões de sangue e, consequentemente, as doações sanguíneas tornaram-se fundamentais para a realização de diversos procedimentos médicos, como nos casos de lesões, cirurgias, quimioterapia e doenças ligadas ao sangue. No Brasil, apesar do grande número de doadores voluntários, há um déficit nos estoques dos hemocentros em virtude da alta demanda. Nesse contexto, verifica-se a necessidade de ampliar os índices de doação.
A priori é válido ressaltar a taxa de doação no país. Dados do Ministério da Saúde mostram que 1,8% da população doa sangue, configurando uma estatística pouco satisfatória comparada à dimensão de habitantes existentes. Dessa forma, é primordial que o cidadão brasileiro tome consciência da relevância do ato de doar.
Nesse cenário merece destaque a questão da coleta de sangue em homossexuais. A legislação brasileira não explicita a proibição da doação por parte de homens homossexuais, mas na prática restringe a ação desse grupo, causando um desfalque considerável nos bancos sanguíneos. Com isso, tal restrição, além de prejudicar o crescimento dos estoques, promove a discriminação entre os candidatos a doadores.
Ainda é importante mencionar um aspecto que também impede a expansão do número de doadores. Trata-se da falta de conhecimento sobre o assunto que propicia a disseminação de mitos relacionados à doação, gerando receio entre as pessoas para se voluntariar. Portanto, ratifica-se a urgência do esclarecimento das dúvidas populares no que tange a segurança do procedimento.
Diante do exposto, é vital que a Coordenação de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde acabe com a restrição aos homossexuais, garantindo que não haja segregação nos ambientes de coleta. Assim como, deve-se mobilizar a comunidade, intensificando e promovendo campanhas na mídia de estímulo e esclarecimento da doação voluntária. Tudo isso a fim de multiplicar os doadores, salvando mais vidas.