Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 17/08/2019

O início do século XXI ilustra um período de grandes modificações na sociedade brasileira, a qual atinge, atualmente, uma marca superior a duzentos milhões de indivíduos. Assim, seria plausível pensar-se que antigos hábitos seriam alterados em prol de maior desenvolvimento social, entretanto, nota-se a manutenção destes, os quais são visíveis, principalmente, pelos obstáculos à doação de sangue no Brasil. Nesse sentido, essa problemática deve ser remediada através de práticas efetivas, seja combatendo a pouca fidelização de doadores ou o preconceito ainda existente.

Em um primeiro momento, os obstáculos à doação de sangue são potencializados pela pouca fidelização de doadores. De acordo à Organização das Nações Unidas (ONU), um país deve possuir entre 3 a 5% de sua população como doadores efetivos. Essa estimativa, ainda que pequena, não é alcançada pelo Brasil, o qual em 2014 atingiu a marca de 1,8%, de acordo dados do Ministério da Saúde. Esta problemática surge, muito provavelmente, em decorrência da pouca disseminação de atos de doação em escolas, universidades e na sociedade em geral. Além disso, a localização e a qualidade em infraestrutura dos centros de coleta – hemocentros – em muitas das vezes são fatores limitantes ao engajamento social.

Além disso, a manutenção de preconceitos - ainda que velados – é papel de restrição à doação efetiva de sangue no Brasil. Entre os inúmeros requisitos a serem atendidos por um possível doador, consta aos homens homossexuais à restrição ao ato sexual pelo período de um ano. Esta imposição dá ao país um saldo negativo de cerca de dezenove milhões de litros de sangue por ano, segundo dados do IBGE. Nesse sentido, é fundamental reavaliar os critérios de doação e fomentar políticas públicas já em vigência, como isenção de taxas em vestibulares e concursos aos doadores, para que esta prática seja realidade e não utopia.

Fica claro, portanto, que os obstáculos à doação de sangue no Brasil suscitam da população e dos órgãos dirigentes medidas efetivas. Para tanto, o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, deve promover investimentos sobre os hemocentros, como melhorias em infraestrutura e equipamentos, efetivar campanhas de doação nas escolas, universidades e meios de comunicação: televisão e rádio. Ademais, a inclusão dos homossexuais é necessária e fundamental, podendo ser viabilizada por meio da superação de preconceitos velados, como a restrição ao sexo por determinado período, efetivando a este público as mesmas regras existentes para os demais doadores.