Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 30/08/2019

O sociólogo Durkheim postulou o termo “anomia social” para se referir ao estado de caos na sociedade, o qual se aplica à questão da doação de sangue no Brasil. Nesse sentido, é notório que há mais receptores do que doadores, esse fato exibe a relevância de aumentar o estoque sanguíneo no país. Ademais, o desconhecimento acerca do assunto, como local de doação e preconceito, é um entrave para ações afins. Por isso, é imprescindível medidas para reverter essa situação.

Nesse contexto da quantidade de doadores, segundo o Ministério da Saúde (MS), apenas 1,8% da população dispõe-se a doar sangue. Tal dado reitera a necessidade de promover ações que exibam a importância desse assunto, pois, não raro, a doação apenas acontece quando entes próximos precisam de ajuda. Com isso, nota-se que a falta de empatia e consciência acerca do tema contribui para esse comportamento social. Nesse seguimento, um dos motivos para o Brasil não ter o costume de doar sangue, decorre do fato de não ter passado por situações extremas, como: guerras e desastres ambientais severos. Diferente de países que passaram por essas mazelas e hoje tornou a doação sanguínea um hábito passado para as gerações futuras. Desse modo, é preciso campanhas que explorem a necessidade de ações afirmativas como essa para reduzir os obstáculos vigentes.

Ainda nesse viés, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país da América Latina que menos doa sangue. Não inesperadamente, uma das causas desse dado é o preconceito existente no que tange a forma de doação, por não estarem cientes das medidas de segurança tomadas e do prejulgamento arraigado desde os anos 80, sobre homossexuais serem doadores. Dessa forma, essas ocorrências são determinante para os empecilho de doações. Assim, é essencial fornecer informações sobre a maneira de coletar, ao explanar que são descartáveis e insetas de contaminação. Além disso, deve-se disseminar o conceito de “comportamento de risco”, que independente da orientação sexual, indivíduos inseridos nessa categoria são pessoas sem parceiro fixo. Tão logo, com medidas nesse seguimento aumentará a doação sanguínea no país.

Portanto, faz-se necessário que o Estado atue por meio do MS e Ministério da Educação nas instituições de ensino com potenciais doadores, pessoas de 18 anos ou mais, e também nos postos de saúde locais, por intermédio de palestras e discussões comandadas por agentes de saúde e pessoas já doadoras, para esclarecer dúvidas e incentivar o corpo social a aderir a causa. Em adição, campanhas midiáticas, devem informar a segurança do momento da doação, locais onde possa fazer essa ação e exibir a grande valia que esse gesto traz. Além de desmistificar pré-noções. Com isso, paulatinamente, conseguir-se-á diminuir os obstáculos para a doação sanguínea e torna-la um hábito.