Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 26/08/2019
Segundo a perspectiva utilitarista de Bentham, o ato de doar sangue é uma das maneiras mais eficazes de um único indivíduo contribuir para o bem comum da sociedade. No entanto, a falta de incentivo e atratividade, no que tange, os doadores, bem como a existência de preconceitos e temor quanto aos mitos associados à doação reduz o número de doadores no país. Logo são imprescindíveis mais ações governamentais, tendo em vista reverter esse quadro.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é de que 3 a 5% da população de um país seja doadora de sangue. No Brasil, embora milhões de litros sejam coletados anualmente, a falta de engajamento entre Estado, Saúde e população acaba diminuindo o contingente de possíveis doadores. O baixo investimento em campanhas que estimulem o ato solidário dificulta que o país atinja o índice da OMS, uma vez que, atualmente, não chega sequer a 2% segundo a própria Organização. Concomitante a isso, a perpetuação de mitos associados à doação de sangue, assim como do preconceito para com doadores homossexuais, preocupa. Ainda que, segundo a lei, seja permitida a doação de sangue por gays, na prática, o preconceito nos hemocentros desencoraja os doadores em questão. Do mesmo modo, a falta de informações quanto ao processo de doação – facilmente fornecidos pela Fundação Pró-sangue – afugenta àqueles que poderiam ajudar inúmeras pessoas.
Logo, fica clara a necessidade de resolver tais entraves. Posto isso, cabe ao Ministério da Saúde investir em propagandas que apelem e desmistifiquem os temores associados à doação de sangue. Para isso, campanhas publicitárias, comerciais de TV e engajamentos nas redes sociais são possibilidades para atingir-se o público alvo. Além disso, fiscalizar o cumprimento da lei desencorajando o preconceito nos hemocentros também é necessário. Desse modo, cidadãos aptos à doação estariam melhor informados sobre o processo em questão, bem como mais dispostos a doar sangue. Assim, o índice estabelecido pela OMS poderia ser atingido e mais vidas seriam salvas.