Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 31/08/2019

Individualismo, estigma social e falta de informação, diversas são as causas de não doar sangue no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas 1,8% da população brasileira doa sangue regularmente. Embora a quantidade seja considerada suficiente, o número de doadores é menor que o recomendado pela ONU (Organização das Nações Unidas), que deve ser entre 3% e 5%. Nesse contexto, torna-se necessário o debate acerca dos obstáculos para a doação de sangue no Brasil.

Em primeiro plano, e falta de conscientização da população é a principal responsável pelo escasso número de doadores de sangue no país. Isso acontece porque, na sociedade contemporânea, as pessoas, conforme defende o filósofo Immanuel Kant, buscam apenas realizar ações que lhes tragam retorno pessoal, esquecendo-se do princípio da ética Kantiana - buscar o bem universal em todas as ações. Exemplificando, segundo dados da Fundação de Hematologia de Pernambuco, apenas 46% dos doadores praticam o ato por espontânea vontade, enquanto o restante doa apenas em casos de urgência familiar. Em decorrência da fragilidade nos laços afetivos, muitas vezes o indivíduo não se preocupa se há outras pessoas que precisam de transfusão sanguínea.

Incontestavelmente, a falta de informação sobre o processo de doação também é responsável pelos baixos índices de doadores. Conforme explica a chefe de atendimento ao doador do hemocentro do Rio de Janeiro, a doação de sangue no Brasil ainda é cercada de mitos. Por exemplo, acreditam que ao doar sangue uma vez, precisarão doar para sempre. Ademais, também acreditam que poderão contrair alguma doença infecciosa durante a coleta. Por consequência desse desconhecimento, o ato de doar sangue está cada vez mais distante da realidade dos brasileiros.

Torna-se evidente, portanto, que a questão da doação de sangue no Brasil precisa ser revisada. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com escolas, incluir palestras sobre doação de sangue nas aulas dos ensinos infantil, fundamental e médio. Essas aulas, com o intuito de desconstruir o individualismo desde cedo, deverá disseminar o habito de empatia. Outrossim, o Ministério da Saúde deve introduzir propagandas sobre a doação de sangue, de modo que estas sejam reproduzidas nas principais plataformas midiáticas do Brasil, como o objetivo de distinguir os mitos e verdades do processo de doação e informar a população, como ocorre, de fato, a transfusão.