Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 09/10/2019

Na série “Grey’s Anatomy”, a qual retrata a vivência de médicos em um dos maiores hospitais de Seatle, sempre há necessidade de sangue doado. Na trama, caso ocorra o esgotamento do banco sanguíneo muitos pacientes ficaram em risco de vida, sendo sempre importante a manutenção do mesmo. Fora da ficção, ainda há muitos obstáculos para a doação de sangue no Brasil, sendo motivados pelos tabus hodiernos, e pelas falhas educacionais. Por conseguinte, é urgente a modificação desse cenário brasileiro.

A princípio, é fundamental analisar de que maneira os paradigmas sociais dificultam a doação de sangue no Brasil. Nesse prisma, de acordo com o código de doação de sangue brasileiro, as pessoas que se encontram nos grupos de risco não podem doar sangue. No entanto, os homossexuais se enquadram nesse grupo de risco, os impedindo – caso tenham realizado relações sexuais nos últimos 100 dias – de fazer a doação. Com isso, mediante essa manutenção de ideologias conservadoras e arcaicas, segundo dados do IBGE, 18,9 milhões de litros de sangue são desperdiçados por ano. Assim, contribuindo para a escassez nos centros de coleta.

Ademais, ainda é imprescindível ressaltar, para além dos tabus, as falhas educacionais em promover a consciência de sociedade. Nesse viés, na biologia, o conceito de sociedade significa um grupo de indivíduos que trabalham para um bem coletivo. No entanto, os brasileiros ainda carecem desse conceito de coletividade, mediante ao descaso educacional em promover uma visão grupal. Tangente a isso, conforme o filósofo e pedagogo brasileiro Paulo Freire, a educação deve preparar o indivíduo para viver e conviver em harmonia com o grupo social, mostrando que, o pensamento individualista que impede as doações de sangue foge totalmente dos conceitos abordados. Dessa forma, é necessário que a educação passa a desenvolver o sentimento de coletividade nos estudantes, para que assim possa aumentar as doações de sangue.

Infere-se, portanto, que a doação de sangue no Brasil ainda enfrenta inúmeras barreiras, assim sendo cabível medidas de intervenção. Dessa maneira, urge que o Ministério da Saúde promova uma maior igualdade na doação de sangue, por meio da revisão do código dos grupos de risco deixando apenas aqueles que realmente possam oferecer perigos, para que assim possa ocorrer um aumento no número de doações. Concomitantemente, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), mediante a palestras nas escolas e universidades, promover um sentimento de coletividade para os estudantes, os motivando a fazer a doação. Só assim garantindo que o cenário de escassez sanguínea presente na série fique limitado à ficção.