Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 11/09/2019
Franz Kafka, importante pensador, argumentava que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesse sentido, a doação de sangue é um ato solidário capaz de salvar muitas vidas, o qual é de suma importância no contexto coletivo. Entretanto, o pouco incentivo para setores da sociedade civil efetuarem a prática, e a restrição da contribuição a determinados grupos, em razão de sua orientação sexual, são entraves para a realização desse processo no Brasil.
É válido ressaltar, em primeiro plano, que a falta de conscientização da população sobre a relevância da doação de sangue constitui um dos obstáculos. Apesar da histórica evolução na área da saúde, a qual possibilitou a transfusão de forma segura e eficiente, muitos indivíduos não doam por ausência de estímulo e informações sobre o assunto. Prova disso, são dados do jornal El País que mostram que menos de 4% da população realiza esse ato de forma voluntária, ou seja, quando um familiar ou conhecido não está necessitando de sangue. Sob esse âmbito, o tema não é muito comentado na mídia ou em instituições educacionais, o que resulta em escasso conhecimento sobre o porquê de doar, e como fazer isso. Dessa forma, poucos cidadãos reconhecem a importância que isso possui, principalmente, para o paciente que vai receber, o qual pode ter sua vida preservada por causa desse simples gesto.
Outrossim, mesmo sendo uma ideia equivocada, a ressalva de que homossexuais não poderiam efetuar a doação de sangue foi imposta durante muito tempo. A partir dos anos 90, com o surto de doenças sexualmente transmissíveis, a crença de que tais indivíduos estavam mais propensos a isso, gerou desconfiança e preconceito com eles, inclusive nos hemocentros. Nesse viés, como muitas delas são transmitidas também pelo sangue, houve a proibição de que esses cidadãos realizassem a transfusão. Todavia, convém ressaltar que heterossexuais também podem apresentar essas doenças, e, por isso, é necessário não julgar conforme a orientação sexual, mas, sim efetuar um exame especializado com todos e analisá-los. Por conseguinte, em razão dessa restrição, há falta de sangue nos bancos de coleta, o que resulta em operações que não podem ser realizadas, o que pode ser fatal.
Portanto, os obstáculos para a doação de sangue são um porblema para o Brasil. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, sensibilizar e estimular a população a doar. Para isso, deve por meio de anúncios publicitários, debates em programas televisivos e ficções engajadas informar sobre as condições para doar, e os benefícios para o receptor. Além disso, esse mesmo ministério deve orientar os hemocentros para analisar o sangue independetemente da orientação sexual.