Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 17/09/2019

Conforme consta no poema do modernista Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. De maneira análoga, a doação de sangue no Brasil ainda não alcançou seu patamar ideal, revelando-se como um empecilho social. Nesse viés, o desinteresse de potenciais doadores e a precariedade dos hemocentros auxiliam esse panorama. Assim, a Carta Magna de 1988 continua a não garantir (na prática) saúde de qualidade a todos.

A princípio, é incontestável que o descaso populacional para com a problemática insere o país em índices agravantes. De acordo com a Organização Mundial de Saúde cerca de 1,8% da população brasileira doa sangue, quantitativo ainda distante dos 3% recomendado pela organização. Nessa perspectiva, com a falta de apoio da sociedade, os estoques hospitalares permanecem abaixo do mínimo, logo colocam em risco a vida de pacientes que necessitam da transfusão de sangue.

Posteriormente, é indubitável que o sistema de saúde precário corrobora para a inibição da coleta sanguínea da minoria voluntária. O Brasil, segundo o G1, dispõe aproximadamente de 30 homocentros. Diante disso, averigua-se que há poucos centros clínicos comparado à demanda social, e não raro, encontram-se sem infraestrutura. Nessa perspectiva, os indivíduos não se sentem seguros para fazerem a doação.

Mediante ao exposto, portanto, é impreterível a retirada da pedra que impede o desenvolvimento da sociedade. Urge ao Ministério da Saúde e da Educação criarem uma parceria para incentivar a doação de sangue. Por meio da escolas de ensino médio que trabalharão com debates nas salas de aula, adjunto a um profissional qualificado que orientará sobre o procedimento. Com a finalidade de aumentar os índices de doadores e alcançar as metas mundiais. Ademais, cabe aos Estados com maior precisão de receptores sanguíneos investir em construção e estruturação dos postos de saúde. A fim de mitigar a inseguridade dos voluntários e a falta de acesso aos hemocentros. Dessa forma, a via social será liberada.