Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 16/09/2019

Em um episódio da série Doutor House, é mostrado o drama de uma mulher com câncer, que necessita de um transplante de fígado e fica a beira da morte, e em meio ao desespero, seu irmão recorre ao mercado negro para tentar salva-la. Essa dificuldade, na vida real, não é só relacionada à órgãos, mas, também, ao sangue, que ao contrário daquele, não é comum a venda ilegal, pois demanda uma complexidade maior para manuseio. No entanto, a obtenção do sangue, por meio de doação, não supre a demanda, pois a falta de informações relacionadas aos requisitos de doação e a falta de solidariedade dificulta o processo de doação.

Primeiramente, dados do Ministério da Saúde, apontam que 1,8% dos brasileiros são doadores voluntários de sangue, um número relativamente baixo em relação à população total, e boa parte dos não doadores, não o faz por desinformação a respeito dos requisitos. A tipagem sanguínea, o peso ideal e mitos como, doar sangue engorda e se doar uma vez tem que ter periodicidade são  empecilhos para a doação e se fossem esclarecidos aumentaria em nível significante o estoque de sangue. E como a necessidade de doação não ocorre apenas em casos de tratamento de doenças, mas, também, em casos de diversos acidentes, é indispensável estar ciente das aquisições, pois a qualquer momento pode ocorrer a necessidade de doar ou receber sangue.

Além disso, a modernidade líquida, descrita pelo filósofo Zygmunt Bauman, está presente, também, nessa questão, pois o individualismo discorre e acaba não dando espaço a solidariedade que, ademais, é um ato de cidadania. Houveram alguns anos, no Brasil, que a doação sanguínea era remunerada e,  em muitas das vezes, pessoas apenas doavam para receber a quantia e, até mesmo, omitiam informações a respeito da saúde, colocando a vida dos receptores em maior risco. Com a proibição do pagamento, pelo Ministério da Saúde, os casos diminuíram, mas ainda é permitido  ganhar um dia de folga no trabalho, e muitos o faz para ter esse benefício. Isso coloca em dúvida a bondade do povo brasileiro, que é visto como simpático e receptivo pelos estrangeiros, mas resta saber se essa bondade também se aplica aos conterrâneos.

Sendo assim, fica evidente os problemas enfrentados pelos centros de coleta  para manter os estoques e atender aos que necessitam realizar transplantes ou reposição sanguínea. É, portanto, dever do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, aumentar o número de mobilizações nacionais e a informatividade popular, a respeito da doação, realizando palestras e aumentando a visibilidade midiática do assunto, mostrando o benefício aos receptores. Tudo isso a fim de explanar a importância da doação, mobilizando as pessoas e mostrando como elas podem beneficiar ao próximo.