Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 20/09/2019

Durante a Segunda Guerra Mundial, a transfusão de sangue foi realizada em grande escala no tratamento dos soldados feridos. Embora vetusto, tal procedimento ainda é muito utilizado na sociedade contemporânea, visto que é capaz de salvar vidas. No entanto, imbróglios no que se tange à falta de solidariedade e conhecimento acerca do tema entre os cidadãos, e a restrição da participação dos homossexuais nesse cenário atuam como entraves para a doação de sangue no Brasil. Dessa forma, visto a importância desse gesto altruísta, é necessário derrubar esses obstáculos.

Em primeira análise, conforme ideário do filósofo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade trouxe consigo o enfraquecimento dos laços afetivos. Nesse sentido, torna-se cada vez mais natural a insensibilidade da população mediante a dor e o sofrimento alheio. Em razão disso, segundo o Ministério da Saúde, somente 1,8% dos brasileiros apresenta-se como doador de sangue. Esse dado pode ser considerado alarmante, haja vista que, além do contingente demográfico do país ser alto, os índices de violência e a consequente demanda por doações tornaram-se ascendentes.

Por conseguinte, a falta de conhecimento sobre o processo de doação também é uma lacuna que deve ser sanada. Embora hajam diversas campanhas de arrecadação de sangue, acompanhadas de informações sofre o perfil do doador, é notório que ainda existem diversas dúvidas e mitos sobre a doação, os quais envolvem a contração de doenças e prejuízos para a saúde do doador. Nesse contexto de desconfiança, milhares de possíveis doadores optam por não participar das mobilizações.

Além disso, é incontrovertível que a burocracia para a doação da população homossexual configura um impasse nessa problemática. De acordo com estimativas do IBGE, são desperdiçados 18,9 milhões de litros de sangue por ano de pessoas aptas para doar, mas que são impedidas por serem homossexuais. Embora seja científico que esse grupo social esteja mais sujeito às doenças sexualmente transmissíveis, o emprego de exames rápidos e capazes de detectar essas patologias durante a triagem da doação facilitariam o procedimento e beneficiaria muitas vidas.

Portanto, para reverter essa problemática, é necessário que o Ministério da Educação, em conjunto com os órgãos de saúde e hemocentros, além de realizar extensas campanhas de doação, promova palestras com profissionais especializados para esclarecer os mitos e dúvidas da população. Dessa forma, mais pessoas serão mobilizadas e beneficiadas. De modo simultâneo, o Ministério da Saúde também deve repensar as restrições contra o público homossexual e flexibilizar a sua doação, a fim de que mais bolsas de sangue sejam coletadas. Para isso, a triagem deve ser aprimorada com testes capazes de detectar  as DST’s e garantir a segurança dos receptores.