Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 20/09/2019
A evolução da transfusão sanguínea foi revolucionária na época das guerras mundiais, pois precisava-se de um estoque e técnicas mais avançadas para socorrer as vítimas. Assim como nos grandes conflitos, necessita-se, diariamente, dessas transfusões, por conta de inúmeras pessoas acidentadas que precisam de sangue quando chegam aos hospitais. Apesar da grande utilidade de doações sanguíneas, ainda persiste uma elevada deficiência nos bancos sanguíneos, oriunda da baixa assiduidade de doadores. Desse modo, a existência de empecilhos na conscientização da importância das doações e obstáculos de doações pela persistência de restrições discriminatórias corroboram com o atual panorama dos hemocentros.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a falta de informação favorece o desconhecimento sobre da importância de doar sangue. Na nossa sociedade, ainda persiste dificuldades no acesso à informação, pois a campanhas publicitárias não são frequentes e, sem uma maior divulgação à população, o número de doadores faz-se menor do que a real demanda. Por exemplo, no Brasil, só 1,8% da população doa sangue, enquanto a meta da Organização Mundial da Saúde é de 3%. Em contrapartida, há muitos indivíduos que, por meio de incentivos, apresentam uma colaboração significativa e tornam-se doadores até permanentes. Embora exista uma boa vontade de parte da população, essa participação ainda é insuficiente segundo os dados apresentados. Dessa forma, a falta de sangue nos hemocentros caracteriza a situação no país.
Além disso, as normas do controles de coleta são discriminatórias e segregacionistas com parte do público. Segundo, o médico imunologista, Dráuzio Varela, as normais atuais são obsoletas e o que deve ser analisado, em questão, é o comportamento de risco, o qual pode ser adotado tanto por homossexuais e heterossexuais, portanto, não a menor sentido em restringir pela sexualidade. Porém, ainda acontece a inclusão de homens homossexuais em grupo de risco, mesmo não tendo condutas perigosas. Sendo isso, característica do preconceito e medo ainda enraizados na sociedade, advindo de estereótipos atribuídos a esse grupo que influenciam na hora da utilização do sangue.
Fica evidente, portanto, que é imprescindível ultrapassar esses obstáculos. Dessa maneira, a mídia torna-se fundamental na exposição de informação, assim por meio de campanhas na televisão, internet, panfletos e outdoors para maior visibilidade e com a finalidade de aumentar o interesse da população. Ademais, o governo federal, através do ministério da saúde, em parceria com os órgãos da saúde no país, devem investir em mutirões de coleta, por meio de bancos móveis de coleta nas ruas e na reformulação das normas de doação seguindo os paramentos do comportamento de risco.