Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 03/10/2019
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um indivíduo se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quanto se observa os impasses na doação de sangue no Brasil verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligado à realidade do país. Nesse contexto, torna-se claro a falta de informação e conhecimento acerca do assunto, bem como as práticas errôneas nas condições do doador.
É indubitável que as infrequentes campanhas publicitárias sobre as doações de sangue estão entre as principais causas do problema. A ação Junho Vermelho — um mês voltado para propagandas e encorajamento para a doação — que foi estipulada favorecendo o Dia Mundial do Doador de Sangue(14 de junho) trouxe à tona a importância das divulgações públicas. Contudo, no restante do ano, não há mais nenhum incentivo por parte do Ministério da Saúde(MS), hemocentros ou das mídias digitais. Sendo assim, a falta de informação contribui para grande parte da população ter pré-conceitos a respeito da doação sanguínea e seus benefícios para quem necessita.
Faz-se mister, ainda, salientar as demasiadas burocracias enfrentadas pelo doador, de modo especial os homens homossexuais, que são impedidos de doar por 12 meses caso tenham se relacionado sexualmente com outrem. O MS justifica como “princípio de precaução”, entretanto, sabe-se que isso é uma forma de discriminação, além de desperdiçar mais de 18 milhões de litros de sangue por ano —segundo a Organização Mundial da Saúde(OMS). — essa quantidade seria de suma importância para salvar a vida de muitos indivíduos, por isso é necessário que tenha mudanças nesse arranjo.
Diante do exposto, é notório que o Brasil sofre de escassos voluntários para contribuir na saúde da sociedade. Para melhorar a situação, o MS, em parceria com as mídias digitais e televisivas, deve investir em campanhas publicitárias, por meio de verbas governamentais. Tal medida é necessária para que propagandas públicas atraiam doadores de sangue, para assim os percentuais de voluntários brasileiros crescerem mais e mais. Outrossim, o MS deve, igualmente, oferecer testes de doenças sexualmente transmissíveis na triagem dos hemocentros para homens homossexuais, por meio de enfermeiros. Desse modo, aqueles que não possuírem nenhuma incidência das infecções, deverão ser liberados para a doação. Assim, além de não haver um “desperdício” sanguíneo, também haverão mais doadores, possibilitando a salvação na vida de muitos indivíduos.