Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 23/09/2019
Desde o iluminismo, sabe-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa os desafios para doação de sangue no Brasil, percebe-se que este ideal iluminista é verificado apenas na teoria e não na prática. Desse modo, a problemática se insere na falta de informação acerca da doação de sangue.
A priori, é válido salientar que a existência de mitos acerca da doação configura-se como um impasse ao problema. Frente a isso, cabe citar a ideia de Joseph Goebbels, ex-ministro da propaganda alemã, de que uma mentira dita mil vezes torna-se verdade. Nesse sentido, afirmações como: risco de contração de doenças e perda de peso do doador desencorajam os indivíduos a participarem destas campanhas. Com efeito, essas crenças errôneas fazem com que as pessoas não se sintam motivadas a contribuir com esse gesto de compaixão e impedem que os bancos de coleta mantenham uma quantidade de sangue adequada.
A posteriori, cabe ressaltar que o individualismo presente na sociedade é um fator determinante para o déficit de doadores de sangue. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman afirmou, em sua obra “Amor Líquido”, que a fragilidade das relações interpessoais é um dos principais problemas da pós-modernidade. Nesse sentido, esse distúrbio torna as relações sociais menos concretas e impede que um indivíduo se preocupe, por exemplo, com o bem-estar do seu semelhante. Dessa forma, a falta de solidariedade e de empatia, resultado dessa lógica individualista, faz com que uma pequena parcela da população brasileira doe sangue regularmente.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para que haja uma maior participação da sociedade na doação de sangue. Para isso, cabe ao Ministério da Educação a incorporação em escolas e universidades de debates e aulas interdisciplinares sobre ética e cidadania, para que seja disseminado a ato de empatia e a importância da doação de sangue, e consequentemente a lógica individualista possa ser desconstruída. Além disso, a mídia pode divulgar campanhas informativas a respeito da doação com a finalidade de sanar os mitos existentes. Por fim, o debate entre individuo e família faz-se importante para que desde criança este entenda a importância de sua participação.