Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 25/09/2019
Ato soberano
O Brasil, em toda sua história, presenciou poucas práticas de gurrea e, em comparação com outras nações, não necessitou de uma comoção nacional conjunta de grandes proporções. Embora isso seja um aspecto histórico positivo para os brasileiros, a ação humanitária, como a doação de sangue, apresenta-se facilmente negligenciada e, ainda, tem-se um grave tabu social sobre essa questão. Logo, cabe a análise acerca de causas, consequências e possivel solução da problemática.
A priori, é imperioso destacar que os obstáculos para a doação de sangue no Brasil, gerados pela ausência do suficiente compromisso para com o outro, é fruto do comodismo civil. Isso porque, mediante ao cenário acelerado da pós-modernidade, os indivíduos assumem, de modo geral, um distanciamente do engajamento comunitário. Para evidenciar essa constatação, dados do Ministério da Saúde apontam que apenas 1,8% da população brasileira, entre 16 e 69 anos, doam sangue, sendo que a ONU (Organização das Nações Unidas) considera ideal uma taxa de 4%. Desse modo, a negligência de muitos brasileiros põe em risco a saúde de inúmeras pessoas.
Outrossim, é imperativo pontuar que, apesar da doação contemporânea de sangue ser insuficiente, alguns tabus são formulados e aceitos como corretos, o que dificulta ainda mais o processo de doação. Isso se torna mais claro, por exemplo, quando afirmações não científicas e inválidas se alastram na sociedade, em que a difusão equivocada da informação, como ‘‘doar sangue engorda’’ ou ‘‘a doação de sangue promoverá anemia’’, induz o comportamento de imobilidade por parte do cidadão. Segundo o pensador e ativista Gandhi, assim como uma gota de veneno compromete o balde inteiro, também a inverdade estraga o potencial de ação. Dessa maneira, o comportamento do indivíduo, moldado pelos falares, compromete a conduta social ativa e benéfica da doação de sangue.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater os obstáculos para a doação de sangue no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde - ramo do Estado responsável pela integridade física e bem estar da população - inserir, nas escolas e em ambientes públicos e privados, campanhas de incentivo à doação de sangue, que vincule tanto a importância social do ato quanto desmistifique boatos a cerca do assunto. Essas propagandas devem, por meio de panfletos, jornais, rede televisivas e internet, conter frases e as imagens elaboradas, para que convidem o receptor da mensagem a agir de maneira ativa e consciente. Quiçá, assim, tal hiato reverter-se-á, sobretudo na perspetiva brasileira, feazendo práticas humanitárias.