Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 26/09/2019
Segundo dados do Ministério da Saúde, somente 1,8% da população brasileira entre 16 e 69 anos doam sangue ─ a ONU (Organização das Nações Unidas) considera “ideal” uma taxa entre 3% a 5%. A meta é ampliar o número de doações dos atuais 1,8% da população para 2,2% a 2,3% nos próximos cinco anos. Desse modo, é evidente que o número de doadores de sangue no Brasil é escasso, não apenas pelo individualismo cada vez mais presente na sociedade contemporânea, como também pela falta de informação da população em relação ao assunto.
O individualismo dos indivíduos é um dos principais responsáveis pelos baixos índices de doadores de sangue no Brasil. Isso ocorre porque, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade atual é marcada pela fragilidade das relações sociais, tendo em vista que o individualismo e falta de empatia são as principais características do mundo contemporâneo. Desse modo, as pessoas não pensam naqueles que precisam de doações, tornando assim, os índices de doadores abaixo do esperado.
Outro fator importante é a falta de informações que as pessoas possuem sobre a doação de sangue. Isso acontece, pois, Segundo Naura Faria, chefe de atendimento ao doador do HemoRio, (hemocentro coordenador do Estado do Rio de Janeiro), a doação de sangue no Brasil ainda é cercada de “mitos”. Muitas pessoas acreditam erroneamente que ao doar sangue podem contrair alguma doença infecciosa durante a coleta ou que ao doarem uma vez, terão que fazer isso para sempre. Consequentemente, o ato de doar sangue tona-se uma realidade distante da vida dos brasileiros.
Fica claro, portanto, que o individualismo e a carência de informações sobre doação de sangue, são um dos principais responsáveis pela baixa quantidade de doadores. Logo, é dever do Ministério da Saúde, promover propagandas nos meios de comunicação, realizadas por profissionais da área da saúde e direcionadas para jovens e adultos. A fim de informar para a população sobre os benefícios da doação de sangue e os mitos em relação ao assunto, desconstruindo o estigma criado pela população. Dessa forma, o Brasil poderá alcançar os índices de doadores recomendados pela ONU e a doação de sangue deixará de ser uma problemática.