Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 01/10/2019
Segundo o escritor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesta perspectiva, o comportamento do povo brasileiro reforça a máxima do autor alemão, a notar-se pela mobilização da população após eventos destruidores na comunidade. Todavia, no que diz respeito à doação de sangue, existem entraves que dificultam este processo solidário. Por certo, a falta de informação, que corrobora para o desconhecimento sobre a importância deste ato, e a restrição de determinados grupos doadores, são alguns dos obstáculos para a doação sanguínea.
Convém ressaltar, a priori, que uma das maiores barreiras para o incentivo à doação de sangue é a escassez de informações sobre tal exercício. Com efeito, as campanhas publicitárias não são esclarecedoras o suficiente para a parcela da população que desconhece os impactos dessa ação e os benefícios para outrem. De fato, de acordo com o Ministério da Saúde, menos de 2% da população compromete-se a doar sangue frequentemente, isso por que o entendimento de que a doação sanguínea deve ser um ato social e contínuo não está totalmente presente na mentalidade do brasileiro. Nesse sentido, sob a ótica do teórico social Immanuel Kant, um indivíduo, bem como os demais ao seu redor, deve agir de forma que sua ação seja benéfica para todos, percebe-se a falta desse imperativo categórico, descrito pelo filósofo, na sociedade brasileira.
Outrossim, a persistência de tabus quanto à doação de sangue por homossexuais impede esse grupo de praticar tal ação. O motivo para isso decorre das epidemias de infecções sexualmente transmissíveis, como a Síndrome da Imunodeficiência Adquiria, ao longo dos anos 80 que, na sua maioria, acometia indivíduos que mantinham relações com outros do mesmo sexo. Com isso, a Organização Mundial de Saúde, determinou que os cidadãos que têm relações homoafetivas constituem o chamado “grupo de risco”. Entretanto, esse impeditivo não se restringe mais à uma questão de orientação sexual, uma vez que indivíduos heterossexuais também podem ser infectados, portanto, não há razão para que essa política se sustente nos tempos atuais.
Diante disso, é imprescindível que tais barreiras expostas sejam superadas. Portanto, a mídia e os hemocentros devem divulgar dados informativos sobre a doação sanguínea, por meio de campanhas em redes sociais e na televisão, a fim de promover o entendimento da população para que essa exerça o ato de doar com frequência. Ademais, o Ministério da Saúde deve levar ao Congresso Nacional o pedido de revogação da política de restrição a indivíduos homossexuais, o que deverá ser feito por meio da exposição de dados e estudos que comprovem que a orientação sexual não representa um impeditivo à doação de sangue, com o intuito de ampliar o número de doares na sociedade.