Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 01/10/2019

No contexto social vigente, o Brasil é referência mundial na área de transplantes e possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Entretanto, observa-se na sociedade atual um baixo índice de eficácia de transplantes: a fila nacional de transplantes é muito grande e o nível de conscientização ainda é muito baixo, somados a ausência de recursos e profissionais capacitados, contribuem para a perpetuação dessa problemática.

É licito referenciar o filósofo Isaac Newton, em sua lei da inércia, estabelece que um corpo continua em repouso, a não ser que uma força externa o movimente. Sendo assim, há uma correlação com a inexistência de uma “força” ativa do Governo Federal para retirar da inércia cerca de 40 mil pessoas na fila de espera para doação de órgãos, de acordo com o Ministério da Saúde. Ademais, a carência de um programa de conscientização sobre a importância de ser doador de órgãos e seus benefícios ocasiona a falta de entendimento da morte encefálica – pré-requisito para ser um doador após o óbito – que gera dúvidas em várias famílias, nas quais possuem o poder da decisão sob seus familiares, como previsto por lei. Dessa maneira, a recusa familiar é o principal dificultador, visto que sem a autorização, a doação não pode ser realizada.

Nesse viés, pode-se mencionar também que qualquer transplante é um processo lento, envolve equipes treinadas, uma estrutura consolidada e custos elevados. Dessa forma, nem todos os hospitais da rede pública possuem infraestrutura necessária para realizar o procedimento por completo. Outrossim, é necessário uma logística exemplar e um sistema informatizado que abrange todos dos estados brasileiros. Em contrapartida, a Espanha – campeã do mundo em doação de órgãos – contempla uma rede médica bem estruturada e investimentos em campanhas nacionais, criando assim, uma cultura de doadores de órgãos no país.

Em virtude dos fatos mencionados, a questão da doação de órgãos no Brasil apresenta extrema urgência de melhorias. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceira com a Espanha, promover um programa de intercâmbio com médicos e agente de saúde brasileiros, com o intuito de adequar a referência espanhola as práticas do SUS e das redes particulares. Ademais, é necessário que o governo federal utilize a mídia – redes sociais, televisão e rádio -, por meio de divulgações de relatos positivos de doadores vivos, familiares e pessoas que foram contempladas com as doações, com o objetivo de convencer e instruir as famílias sobre a importância e em quais circunstâncias são realizadas as cirurgias de transplantes de órgãos.