Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/10/2019
Continuamente, campanhas de conscientização a respeito da doação sanguínea são difundidas pelo Estado brasileiro através da mídia. Elas têm por objetivo atrair doadores dos diferentes estratos sociais, visto as dificuldades que os hemocentros perpassam. Nesse sentido, no que tange à questão da doação de sangue no Brasil, percebe-se a configuração diversos obstáculos, em virtude da insuficiência de leis e do individualismo das pessoas. Diante disso, é preciso conhecer os diversos estigmas desse problema, na propensão de solucioná-lo.
Em uma primeira análise, a persistência da problemática é intrinsecamente fomentada pela insuficiência legislativa. Mesmo com a constante necessidade de doações, os hemocentros brasileiros - graças à falta de diretrizes específicas que visem à proibição da segregação do grupos sociais - tendem a promover a exclusão de indivíduos homoafetivos, visto que eles só podem realizar doações um ano após terem tido relações sexuais. Assim, esses cidadãos acabam desmotivados à prática de realizar doação e, dessa forma, fica garantida a redução da quantidade de bolsas sanguíneas nas instituições cabíveis. Nessa perspectiva, se - segundo Aristóteles - a política tem como objetivo preservar a união entre os indivíduos, é evidente salientar que a ausência de leis tende a dar prosseguimento aos empecilhos para a doação de sangue no Brasil e fomentar o preconceito contra homossexuais.
Ademais, em um segundo plano, o individualismo das pessoas é um mecanismo intenso desse impasse. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos tempos líquidos, ou seja, uma época de artificialidade nas relações humanas que é caracterizada pelo individualismo. Assim, em um mundo cada vez mais dinâmico, a falta de empatia e a falta de tempo dos cidadãos acabam corroborando com a predominância de estoques sanguíneos baixos nos hemocentros, o que, por conseguinte, resulta em outras mazelas sociais, como a perda de vidas. Desse modo, o quadro do panorama líquido se configura como um importante obstáculo para a doação de sangue no país.
Portanto, a insuficiência de leis e o individualismo das pessoas são importantes vetores da problemática. Destarte, faz-se mister que o Estado brasileiro, por meio do Poder Legislativo, crie regras que obriguem os hemocentros a não distinguirem os doadores por opção sexual. Por meio de discussões e aprovação de propostas de leis, na câmara dos deputados, que garantam a punição e a aplicação de multas nos hemocentros que não cumpram essa determinação, será possível atenuar os entraves para a doação de sangue no Brasil. Agindo assim, a construção de uma sociedade em que doar sangue seja uma prática comum e universal tornar-se-á uma realidade empírica, não um ideal ou uma utopia.