Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/10/2019

A Segunda Guerra Mundial trouxe consigo diversos avanços na medicina, como novas técnicas cirúrgicas, descobertas de novos medicamentos e transfusões sanguíneas tornaram-se comuns, evitando a morte de centenas de pessoas. Embora a doação de sangue seja extremamente importante para a vida de diversas pessoas, segundo dados do Ministério da Saúde, somente 1,8% da população brasileira entre 16 e 69 anos doam. Desse modo, é evidente que o número de doadores de sangue no Brasil é escasso, não apenas pelo individualismo cada vez mais presente na sociedade contemporânea, como também pela falta de informação da população em relação ao assunto.

O individualismo dos indivíduos é um dos principais responsáveis pelos baixos índices de doadores de sangue no Brasil. Isso ocorre porque, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade atual é marcada pela fragilidade das relações sociais, tendo em vista que o individualismo e falta de empatia são as principais características do mundo contemporâneo. Logo, a maioria das pessoas não pensam naqueles que precisam de doações tornando assim, os índices de doadores abaixo do esperado, pois de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a meta é ampliar o número de doações dos atuais 1,8% da população para 2,2% a 2,3% nos próximos cinco anos.

Outro fator importante é a falta de informações que os indivíduos possuem sobre a doação de sangue. Isso acontece, pois, segundo Naura Faria, chefe de atendimento ao doador do HemoRio, (hemocentro coordenador do Estado do Rio de Janeiro), a doação de sangue no Brasil ainda é cercada de “mitos”. Muitas pessoas acreditam erroneamente que ao doar sangue podem contrair alguma doença infecciosa durante a coleta ou que ao doarem uma vez, terão que fazer isso para sempre. Consequentemente, o ato de doar sangue tona-se uma realidade distante da vida dos brasileiros.

Fica claro, portanto, que o individualismo e a carência de informações sobre doação de sangue, são um dos principais responsáveis pela baixa quantidade de doadores. Logo, é dever do Ministério da Saúde, promover propagandas nos meios de comunicação, realizadas por profissionais da área da saúde e direcionadas para jovens e adultos. A fim de informar para a população sobre os benefícios da doação de sangue e os mitos em relação ao assunto, desconstruindo o estigma criado pela população. Dessa forma, o Brasil poderá alcançar os índices de doadores recomendados pela ONU e a doação de sangue deixará de ser uma problemática.