Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 06/10/2019

Consoante à teoria do corpo social, formulada pelo sociólogo Émile Durkheim, os homens devem adotar práticas que visem ao bom funcionamento da sociedade e assegure a longevidade da espécie humana. Todavia, a doação de sangue, ação que se enquadra nesse princípio, é pouco efetuada no Brasil, já que possui como obstáculos o individualismo e a falta de debate nas escolas.

A priori, quando Lev Vygotsky afirma que as instituições de ensino não devem afastar-se dos aspectos sociais de seus alunos, corrobora as escolas como agentes modeladores do conhecimento do indivíduo. Contudo, grande parte dos colégios nacionais segue um caminho contrário ao proposto pelo psicólogo, uma vez que, em decorrência de focarem apenas em conteúdos cobrados em vestibulares, negligenciam a abordagem de questões humanitárias relevantes, como a importância de se doar sangue. Como resultado, forma-se cidadãos alheios a essa necessidade, o que implica em uma taxa gradativamente menor de doadores.

Outrossim, Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, ao afirmar que na contemporaneidade emerge a efemeridade das relações, ratifica a questão do egoísmo. Nesse sentido, o sociólogo polonês parece  denunciar a problemática da doação de sangue em solo brasileiro, visto que, em razão do individualismo, uma elevada parcela da população não pratica esse ato voluntário. Dessa forma, os bancos de sangue permanecem necessitados de doações.

Torna-se evidente, portanto, que medidas que objetivem combater esses desafios são imprescindíveis. É primordial a criação de oficinas comunitárias em praças públicas, pelas prefeituras, que visem à elucidação das massas sobre a importância da doação de sangue, por meio de palestras ministradas por cidadãos que tiveram a vida salva por doações que irão sensibilizar as pessoas e incentivar a prática. Assim, aguarda-se uma sociedade em que essa problemática não mais existirá.