Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 13/10/2019

Os componentes sanguíneos transportam nutrientes primordiais para todos os tecidos do corpo humano, ou seja, a sua ausência faz órgãos morrerem por inanição. Embora a importância do tecido hematopoiético seja inquestionável, o compartilhamento de sangue, através de hemocentros e hospitais, ainda é insuficiente por ser pouco praticada entre os brasileiros. Dessa forma, torna-se pertinente analisar as principais causas dessa problemática: a mistificação do processo e a falta de reavaliação das exigências sobre o doador.

Primeiramente, cabe salientar que, segundo o IBGE, o Brasil tem cerca de 11,8 milhões de analfabetos ditos “completos” e mais de 39 milhões dos considerados funcionais. Esse fato dificulta o acesso a informações sobre o método de coleta de sangue, o que induz pessoas a acreditarem na transmissão de doenças pelas seringas, na morte ou na perda excessiva de pesa pela retirada do plasma, entre outras. Dessa forma, há um bombardeio de mitos que influenciam, de forma negativa, a população e corroboram para o baixo percentual de doadores no País.

Somado a isso, algumas exigências feitas pelo Ministério da Saúde são de décadas passadas e que não consideram os avanços científicos no controle de doenças. Sabe-se que a doação de sangue é dificultada para homossexuais devido à associação do grupo com as DSTs; no entanto, houve progresso significativo com a inserção de medicação no SUS e com a alta capacidade técnica empregada na avaliação do material coletado. Portanto, considerar esses fatores é essencial para não ocorrer o desperdício de material por um preconceito sem fundamento na atualidade.

Evidencia-se, então, que a falta de doadores sanguíneos na sociedade brasileira é um complexo desafio e precisa ser combatido. Por isso, cabe ao Ministério da Saúde investir na Educação em Saúde, por meio da criação de propagandas interativas - como o “quiz” -, em que seja possível o esclarecimento de dúvidas e o incentivo à prática. Paralelamente, é necessário que ele promova campanhas maciças contra o preconceito sofrido pelos homossexuais, para desconstruir a imagem marginalizada criada ao longo de anos. Feito isso, em médio a longo prazo, os indicadores irão apresentar significativa melhora e salvarão mais vidas.