Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 14/10/2019
Enquanto os índices de violência com vítimas não fatais, o número de acidentes de trânsito e a frequência de cirurgias nas redes de saúde somente crescem, o Brasil, na contra-mão dessa demanda, trata a doação de sangue não como um ato de amor e compaixão largamente divulgado mas sim como um assunto carregado de obstáculos de ordem cultural e de falta de investimentos.
No Brasil, a deficiência de conscientização da população frente à necessidade da doação de sangue é imensa, ao ponto até mesmo de mitos e achismos, fomentados pela desinformação, inibirem a doação voluntária. É comum escutar das bocas menos instruídas jargões como “não vou(posso) doar sangue pois todo mês eu menstruo e daí vou ficar anêmica”, ou então “não dôo pois tenho medo de pegar alguma doença”.
Como se isso não bastasse, há deficiência de engajamento social e de noção de coletivo, fomentando a idéia que só se doa sangue quando um parente ou amigo está precisando, a chamada “doação de reposição”. Enquanto isso a doação voluntária, que é exatamente aquela que preenche os bancos de sangue, é escassa e acaba caindo no esquecimento da maioria da população.
Outrossim, os investimentos em campanhas de divulgação da necessidade de doação voluntária de sangue são praticamente inexistentes; apenas perto de feriados prolongados como o carnaval é que uma incipiente tentativa é divulgada sobretudo pela TV. Junte-se a isso um ínfimo número de hemocentros e pontos de coleta, 27 e 500 respectivamente, para todo o Brasil; portanto, mesmo que a população tivesse o ímpeto de colaborar com o estoque de sangue, seria necessário ao indivíduo percorrer distâncias desencorajadoras até municípios mais próximos que contassem com esse serviço.
Logo, tanto do ponto de vista cultural como também do financeiro, cria-se uma triste e frágil realidade para o ato da doação voluntária de sangue. Visando, pois, mitigar essa situação, o Ministério da Saúde deveria investir financeiramente na ampliação urgente do número de hemocentros e pontos de coleta, assim como implementar campanhas massivas de instrução e conscientização da população brasileira, visando desmistificar pensamentos errôneos e fortalecer os laços da cidadania, segundo os quais também é responsabilidade de cada cidadão proteger o direito à vida de seu semelhante.