Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 20/10/2019
De acordo com a perspectiva do escritor Franz Kafka, que disse que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana, um gesto simples de uma pessoa pode salvar várias outras vidas. Um exemplo disso é a doação de sangue, pois, segundo os hemocentros, uma bolsa de sangue doada pode beneficiar até quatro pessoas. No entanto, existem obstáculos que dificultam a doação de sangue no Brasil e, por isso, devem ser combatidos.
Segundo dados do Ministério da Saúde, 1,8% da população brasileira é doadora de sangue, número que está abaixo da meta mínima estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de 3%. Portanto, o aumento de número de doadores é necessário. Um dos maiores obstáculos para a doação de sangue é a falta de informação, visto que campanhas publicitárias são intensas em determinadas épocas do ano, como carnaval, mas não são frequentes durante os outros meses. Assim, por desconhecimento da importância ou do processo de doação, muitas pessoas deixam de doar.
Outro obstáculo pertinente é a proibição da doação de sangue por parte de homossexuais, por constituírem um grupo de risco devido à epidemia de AIDS dos anos 80. No entanto, a orientação sexual do potencial doador não deve ser usada como meio de exclusão, e sim sua condição de saúde, testada por meio de exames, como já ocorre em todas as doações, visto que o HIV também é transmitido por heterossexuais. Dessa forma, milhões de pessoas ficam impedidas de exercer sua solidariedade por meio da doação de sangue.
Portanto, medidas são necessárias para promover o aumento das doações de sangue no Brasil. Nesse sentido, a mídia tem papel fundamental na divulgação de informações sobre a doação de sangue, visando ressaltar a importância do ato e incentivar a população. Ademais, cabe ao poder público rever as regras a respeito da doação de sangue, bem como investir em aparatos tecnológicos para garantir maior rigor nos exames realizados com o sangue doado, a fim de redefinir grupos de risco e de recusar as doações apenas pela condição de saúde do doador.