Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 28/10/2019
A doação de sangue é divulgada como um ato salvador de vidas. Porém, atualmente, no Brasil, essa ação solidária ainda encontra alguns obstáculos para se ampliar como, o medo gerado pelo desconhecimento e as mentiras da internet para com o processo de doação, além disso há a dificuldade de alguns grupos específicos doarem.
A princípio, consoante ao filósofo Walter Benjamim, as tecnologias mudam a percepção da realidade. Acerca desse ideal, nota-se que a percepção sobre a doação de sangue está, para muitos, voltada ao desconhecimento devido à internet. Nesse sentido, uma pessoa quando está com dúvidas sobre esse processo e resolve pesquisá-lo acaba encontrando em sites não oficiais do Governo - amplamente disponíveis na internet - falsas verdades, relatos, teorias e objetivos da doação sanguínea. Logo, cercado de mentiras, esse potencial doador se encontra com ainda mais dúvidas e mergulhado em um desconhecimento maior sobre o assunto, isso infelizmente gera medo, receio e, assim, consequentemente muitas abandonam a vontade de doar que antes carregavam.
Ademais, segundo o Ministério da Saúde, 1,8% da população brasileira era doadora de sangue em 2014. Isso mostra que, além das mentiras da internet, questões jurídicas também impedem que o número de doadores aumente. Assim, entre as principais questões estão os processos de seleção que obstruem e dificultam a entrada de alguns grupos, como principal destaque o LGBT, o qual passa por um processo de selecionamento muito mais rigoroso e restritivo do que os do grupo de indivíduos heterossexuais. Dessa forma, com essa gestão dos homocentros, milhares de pessoas que poderiam ajudar outras tantas acabam se “enroscando” na legislação e burocratizando o processo de doação.
Portanto, é notável que medidas precisam ser tomadas para que esses obstáculos sejam rompidos. Para tanto, é dever do Governo Federal, junto ao Ministério da Saúde, incentivar e influenciar a sociedade a doar sangue, por meio da criação de campanhas nas mídias sociais e de televisão que tragam especialistas médicos e funcionários de homocentros para explicar todo o processo de doação, reforçar a segurança física do doador, expor qual será o uso do seu sangue , enaltecer e incentivar essa atitude solidária. Somando-se a isso, o Governo irá precisar criar um processo de seleção mais fácil e rápido, mas com segurança, nos homocentros para grupos como o LGBT. Por fim, com esse posicionamento do Governo, visa-se que o Brasil seja um exemplo com grande parte de sua população se conscientizando e sendo ativamente doadora, que esse ato salvador realmente salve milhões de vidas e que o desconhecimento para com a doação seja extinguido.