Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 17/10/2019
No século XX, com o advento da tecnologia pós segunda guerra mundial, o avanço científico contribuiu positivamente para diversos setores, dentre eles o da medicina. Dessa forma, o aprimoramento de tratamentos, como a transfusão sanguínea, foram cruciais para a cura de doenças antes consideradas mortais. Entretanto, na atual conjuntura brasileira, a taxa de doação sanguínea encontra-se baixa e preocupa profissionais da saúde. Logo, é imperioso refletir sobre os obstáculos para a doação de sangue no país, como o regulamento de doadores e a pouca conscientização social acerca da problemática.
Em primeira análise, o impedimento de homossexuais realizarem doações é um fator que fomenta a questão. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o ideal é que 3% a 5% da população de um país seja doadora, e esse índice no Brasil é de apenas 1,8% segundo a ONU. Ao mesmo tempo, sabe-se que as pessoas homoafetivas, que representam uma significativa parcela da população brasileira, não podem ofertar sangue voluntariamente. Sob essa perspectiva, além de refletir o preconceito vigente na sociedade para com esses indivíduos, tal exclusão é desnecessária, uma vez que todo sangue doado é examinado pelos hemocentros antes de serem disponibilizados aos bancos sanguíneos, e qualquer alteração faz com que o sangue seja descartado, independente de quem seja o doador.
Somado a isso, a falta de conscientização da sociedade perante o problema é um agravante. Apesar de, segundo o sociólogo Manuel Castells, as pessoas viverem na sociedade da informação, em que tudo é amplamente divulgado, há uma insuficiência de campanhas que reforcem a necessidade da transfusão de sangue no Brasil, que leva ao não conhecimento da população e, por conseguinte, baixas taxas de doação. Tal fato não é observado em países como o Japão, que em decorrência das catástrofes naturais e consequências de guerras, possui umas das maiores taxas de doadores do mundo e apresenta inúmeras campanhas em prol da solidariedade.
Evidencia-se, portanto, que alternativas são necessárias para atenuar o exposto. Primeiramente, o Ministério da Saúde deve propor uma maior compreensão por parte dos brasileiros no que tange à importância da doação sanguínea, recorrendo à mídia, fundamental na sociedade da informação de Castells, com o intuito de alcançar e mobilizar mais pessoas, e assim torná-las doadoras. Ademais, cabe aos hemocentros permitirem que os homossexuais possam doar, por meio da revisão do regulamento de doação, a fim de aumentar o número de concessores no país e proporcionar maior chance de cura aos que precisam.