Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/11/2019
O paulista Sérgio Buarque de Holanda, no seu livro “Raízes do Brasil”, retrata o povo brasileiro dotados de cordialidade, ou seja, um povo que precisa expandir o seu ser na vida social, que não suporta o peso da individualidade.Todavia, Hoje, essa premissa não representa o brasileiro contemporâneo, haja vista que muitos não praticam atos de solidariedade, principalmente na questão da doação de sangue. Nessa perspectiva, o empecilho da doação de sangue é causada não só pelo individualismo, como também pela negligência do poder público.
Em primeiro lugar, é importante validar a falta de empatia nas relações como impulsionador da problemática. A respeito disso, o sociólogo Zygmunt Bauman, na obra “Modernidade Líquida”, retrata o individualismo como uma coisa lamentavelmente comum e assustadora, essa despreocupação com as consequências, a banalização, e o desejo em apenas satisfazer as próprias vontades, são grandes influenciadores para que cada vez menos pessoas pratiquem atos de solidariedade, como a doação de sangue. Por consequência, a diminuição da arrecadação de sangue pelos hospitais, pode afetar negativamente da saúde do paciente.
Ademais, a falta de informação corrobora para o desconhecimento sobre a importância de doar sangue. As campanhas publicitárias não são frequentes, e sem uma maior divulgação para a população, o número de doadores faz-se menor que a demanda. Atualmente, por exemplo, no Brasil e o mundo, a parcela da população com idade acima de 60 anos está crescendo em um ritmo mais acelerado, por conseguinte, o envelhecimento traz doenças que necessitam da doação de sangue. Entretanto, a exposição desta informação pelos meios de comunicação e o incentivo a novos doadores ainda são escassos, o que agrava ainda mais a problemática.
Torna-se claro, portanto, a necessidade de uma parceria entre governo e mídia para resolução do problema. Dessa forma, a mídia, através de jornais televisivos e campanhas, deve informar a população sobre a necessidade de coleta de sangue pelos hospitais e, também, ressaltar a importância da doação como um ato de amor. Além disso, o Ministério da Educação, deve inserir, nas escolas, desde a tenra idade, a discussão sobre a importância da doação de sangue, por intermédio de palestras, com a participação de professores e profissionais da saúde, com o objetivo de torna a doação de sangue um ato de cidadania. Talvez, assim, os brasileirão serão um povo cordial, como retratou Sérgio Buarque.