Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 27/10/2019
Em 1980,no,Brasil,foi criado o Programa Nacional de Sangue e Hemocomponentes,que visava regularizar a hemoterapia,através do surgimento dos hemocentros,e proibia a doação remunerada.No panorama hodierno brasileiro,apesar de ter ocorrido um avanço científico no que tange à transfusão sanguínea,é incontrovertível a existência de obstáculos.Assim,a efetivação da doação de sangue é prejudicada,devido a fatores como um imbróglio informacional no que se refere ao amplo conhecimento acerca do processo de coleta,bem como ao estigma de que homossexuais não podem doar.
Primeiramente,é imperioso ressaltar o fato de que parte do contingente demográfico brasileiro não tem acesso às campanhas de doação de sangue,de modo que não sabem se se encaixam nos requisitos para ser um doador,além do medo do desconhecido.No livro “Raízes do Brasil”,Sérgio Buarque de Holanda analisa o conceito de cordialidade,no qual o homem cordial possui um predomínio da emoção sobre a razão.À vista disso,pode-se observar como muitos brasileiros assemelham-se ao homem cordial no que diz respeito ao processo de doação,pois eles deixem o lado emocional,dotado de dilemas e temor de que possam contrair alguma doença,acima do lado racional.Nesse viés,nota-se que a falta de informação estimula o indivíduo a agir irracionalmente,uma vez que ele ignora a importância da transfusão por não saber,por exemplo,que uma única doação pode salvar até quatro vidas.
Ademais,é indubitável que milhares de litros de sangue são desperdiçados devido à norma da Anvisa de que homossexuais são considerados grupos de risco e,por conseguinte,são impedidos de doar, a menos que passem 1 ano sem ter relações sexuais com outro homem.De acordo com o sociólogo Émile Durkheim,fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar,dotada de generalidade e coercitividade,sendo determinada por instrumentos socioculturais.Mediante o exposto,pode-se observar como a “precaução” da Anvisa atua conforme um fato social discriminatório,uma vez que o conceito de grupo de risco é retrógrado,utilizado no início do surto de AIDS.Assim sendo,a restrição é errônea,de modo que apenas o conceito de comportamento de risco deveria ser levado em conta,como sexo sem proteção e rotatividade de parceiros,haja vista o fato de que héteros também praticam tais atos.
Fica evidente,portanto,que medidas devem ser tomadas para elevar os estoques de sangue.Assim,o Ministério da Saúde,aliado ao Ministério da Educação,deve auxiliar os hemocentros a divulgar as campanhas de doação a nível nacional,de modo que mais pessoas possam se identificar como doadoras.Para isso,urge a distribuição de cartilhas explicativas em locais como a rua,escolas e empresas,a fim de que todos saibam a importância desse ato.Além disso, a Anvisa precisa reformular o critério de restrição aos homossexuais,não exigindo a abstinência sexual,apenas testando os sangues.