Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 24/10/2019
“Greys Anatomy” é uma série americana em que retrata o cotidiano de médicos do hospital Seattle Grace. Em um de seus episódios, que se passa na década de 1980, é apresentado um caso clínico de um homem jovem e homossexual com AIDS, que tem a sua cirurgia negada pelos médicos por medo de contato com o seu sangue, pois não se sabia como era feita a transmissão de tal doença, apenas que era mais comum em pessoas com relacionamentos homoafetivos. Fora da ficção, no atual cenário de avanços médicos, ainda há no Brasil um preconceito na área da saúde contra pessoas do grupo LGBT, criando-se assim um obstáculo, principalmente para a doação de sangue. Nesse sentido, convém-nos analisar os pilares que sustentam tal problemática.
Primeiramente é fulcral apontar como uma das causas da problemática para a doação de sangue, o preconceito contra homossexuais. Sabe-se que esse é um preconceito que tem origem nas décadas passadas, em que muitas foram as pessoas que morreram por ter doenças sexualmente transmissíveis (DST), e a grande maioria eram homens gays, como exemplo, o cantor Cazuza, que morreu por causa da AIDS. Ademais, atualmente sabe-se que qualquer pessoa, independente de sua opção sexual, esta sujeita as DSTs. Além de que, o sangue antes de ser enviado para o doador é submetido a uma bateria de exames para constatar que está livre de contaminantes. Desta forma, é inadmissível que ainda exista lugares que selecionam doadores pela opção sexual, caracterizando um preconceito contra esses grupos.
Por consequência, há uma diminuição no grupo de pessoas “aptas” para realizar a doação de sangue, isso faz com que diminua a quantidade de sangue disponível nos bancos, e menos pessoas necessitadas serão beneficiadas por eles. De acordo com a ONU, é necessário que, de 3 a 5% da população seja doadora, para que se tenha sangue suficiente disponível. Porém no Brasil, a realidade é diferente, de acordo com o IBGE, apenas 1,8% da população é doadora, ou seja, uma estatística muito menor do que a ideal. Nesse viés, é indispensável possíveis doadores, sendo um absurdo que não se consiga aumentar a estatística por doadores não serem considerados aptos apenas pela opção sexual.
Em suma, é necessário o combate contra os obstáculos que dificultam a doação de sangue no Brasil. Nessa lógica, é de responsabilidade dos grandes hospitais e centros de coleta, da criação de medidas que diminua o preconceito no momento de aceitar ou nega um doador, através do controle e da fiscalização das características utilizadas para seleciona os indivíduos interessados, por meio de fiscais treinados para a seleção. Espera-se, com isso, que o número de doadores aumente, assim como o volume de sangue disponível, no intuito de ajudar mais pessoas possíveis.