Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 22/10/2019

Na obra “Raízes do Brasil”, do escritor Sérgio Buarque, é possível perceber o brasileiro como um ser cordial que age de acordo com o coração, sendo solidário e hospitaleiro. No entanto, em se tratando dos empecilhos para a doação de sangue no país, percebe-se um índice decrescente, e isso ocorre devido a muitos obstáculos para a execução desse ato solidário. Nesse sentido, é cabível analisar os aspectos que cooperam para esse impasse, os quais são agravados em decorrência da ineficácia governamental, bem como do preconceito para com os homossexuais.

Em primeiro plano, convém ressaltar que a falta de informações acerca dos procedimentos e dos benefícios da doação de sengue contribui para a problemática. Desde o iluminismo, entende-se que a sociedade só progride quando um se preocupa com o problema do outro. Entretanto, para a concretização do pensamento iluminista e dos atos solidários por maior parte do povo brasileiro - e por conseguinte o aumento do índices de doadores - é necessário maior número de campanhas esclarecedoras e incentivadoras. Além disso, os hemocentros e os postos de coletas, em maioria, estão localizados nas grandes cidades, dificultando assim o ato de doar. Por isto, fica evidente que o poder público deve priorizar ações para otimizar o sistema estrutural de coleta e de banco de sangue do país.      Outrossim, destaca-se o preconceito enfrentado pelos homossexuais como impulsionador do problema. Segundo dados do Ministério da Saúde, são desperdiçados cerca de 18 milhões de litros de sangue por ano no Brasil. Isso corre devido a uma portaria que restringe a doação por homossexuais, já que ainda é considerado um “grupo de risco”. Nesse contexto, fica evidente não só a conduta separatista do Estado, mas também da sociedade, pois a orientação sexual não deveria ser utilizada como critério de seleção, somente a condição de saúde dos doadores, uma vez que a AIDS, por exemplo, também é transmitida por heterossexuais. Dessa maneira , faz-se mister uma mudança drástica dessa postura da sociedade de forma urgente.

Infere-se, portanto, que ações são essenciais para a superação dos obstáculos apresentados. Sendo assim, para a conscientização da sociedade e a melhoria do sistema de doação de sangue no país, urge que o Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, promova ampla divulgação midiática nas redes sociais, em jornais de grande audiência e nas rádios acerca dos procedimentos e benefícios de se tornar um doador de sangue. Ademais, o mesmo órgão governamental deve, ainda, por via de coletas itinerantes, descentralizar os locais de doação para que o índice de voluntários deixe a preocupante margem limítrofe. Logo, a partir dessas ações, espera-se minimizar esse problema existente na sociedade brasileira.