Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 23/10/2019

As primeiras transfusões sanguíneas foram marcadas pela falta de conhecimento em relação ao sistema ABO, o que contribuiu para que muitas pessoas sofressem reações adversas ao sangue que lhe foi doado. Hoje, no entanto, já se tem conhecimento sobre diferentes tipos sanguíneos, porém mesmo com essa descoberta o Brasil ainda enfrenta obstáculos para a doação de sangue. Dentre eles, pode-se citar a falta de hemocentros e uma das regras que impede a doação de sangue dos homossexuais.

Mormente, é notório que o sangue é essencial para o tratamento da saúde de muitas pessoas, em contrapartida a falta de hemocentros acessíveis à população dificulta arrecadação desse material. Consoante a isso, a coleta é comprometida pois os locais que estão aptos a fazer esses processos ficam nas capitais ou cidades polos das regiões, inviabilizando a doação por parte daqueles que não podem se locomover de uma cidade à outra. Segundo Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade é como um organismo vivo, pois tudo está interligado, entende-se, portanto, que ao tornar o hábito de doar sangue frequente o indivíduo está ajudando o próximo e também incentivando os outros ajudar para que ele possa usufruir desse bem comum caso necessário.

Em segundo plano, outro fator que contribui para os baixos níveis de sangue no sistema de saúde é a restrição relacionada aos homossexuais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde existem os chamados grupos de risco, pessoas classificadas como possíveis portadores de doenças, dentre elas estão classificados os homossexuais que mantém uma vida sexual ativa. Tal fato corrobora com o pressuposto que as pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo têm que ser julgados diferente das demais, o que é inviável pois qualquer um pode ser portador de doenças hemofílicas. Outrossim, essa atitude torna ainda menor o número de doadores enquanto o país necessita cada vez mais de estoque sanguíneo.

Em suma, são necessários medidas para acabar com os obstáculos presentes na doação de sangue no Brasil. O Ministério da Saúde em parceria com prefeituras locais deve realizar campanhas que levem os hemocentros móveis, em caminhões ou ônibus, para as cidades que não tem acesso a esses lugares por causa da distância. Ademais, o mesmo órgão do governo deve revogar a regra que impede os homossexuais de fazerem doações, pois tal atitude de impedir a doação é preconceituosa e inferioriza a classe, que se tomar todos os cuidados necessários deve ter o mesmo tratamento que os demais. Com essas medidas seria possível aumentar o número de doadores de sangue no Brasil e aproveitar a descoberta que foi a tipagem sanguínea responsável por ajudar a salvar vidas.