Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 25/10/2019
No século XIX, a corrente sociológica positivista surgiu como uma reação ao caos decorrente da Revolução Francesa - fome, miséria, doenças. Com isso, a corrente almejava o progresso e defendia a solidariedade mútua como forma de sanar as necessidades do momento. Analogamente ao Brasil contemporâneo, é preocupante constatar que significativa parcela dos brasileiros não consideram a importância dos anseios positivistas e contribuem para um significativo obstáculo ao progresso da nação: a reduzida doação de sangue. Assim, os entraves para esse ato são representados não só pela falta de consciência coletiva, mas também pela escassez de incentivos e informações acerca do tema.
A princípio, destaca-se que a falha na consciência coletiva - almejada pelos positivos- é um grande obstáculo para a doação de sangue no Brasil. Nesse viés, Émile Durkheim defendeu que uma sociedade deve ser movida pela solidariedade mecânica - ou seja, pela consciência coletiva. Ademais, para ele, as necessidades sociais devem moldar as ações individuais. Dessa forma, constata-se que a tese de Durkheim está longe de ser uma realidade brasileira, já que o individualismo exacerbado representa um grave impasse à doação de componentes sanguíneos. Desse modo, pensamentos egoístas e alheios à solidariedade ameaçam a vida de muitos necessitados e acabam por privá-los do seu bem mais precioso: o sangue.
Além disso, a escassez de incentivos e informações sobre o ato de doar acaba por gerar a inércia de potenciais doadores. Nesse sentido, Platão defendeu que o conhecimento é obtido a partir dos sentidos - ver, ouvir, tocar- e a partir disso, o ser humano é capaz de tomar atitudes conscientes. Nesse cenário, é lamentável concluir que a experiência defendida por Platão não é concretizada no âmbito da doação sanguínea no Brasil, visto que são falhas as campanhas que promovem o conhecimento. Nesse âmbito, tal situação é exemplificada ao constatar-se que apenas 1,8% da população é doadora, segundo o Ministério da Saúde. Visto isso, a falta de campanhas informativas acaba por gerar uma sociedade alheia às necessidades sociais e lamentavelmente privada do progresso.
Portanto, diante dos obstáculos para a doação de sangue no Brasil, é preciso modificar tal situação. Para isso, o Ministério da Saúde deve elaborar campanhas de informação e estímulo ao ato em questão, a fim de construir a consciência coletiva e uma sociedade portadora da base do conhecimento: a informação. Nesse conjuntura, a mídia - televisão e internet - deve veicular propagandas curtas com falas de profissionais da saúde acerca da necessidade enfrentada pelo país, além da importância e dos benefícios de ser um doador. Assim, diante de uma nação solidária e consciente, será possível concretizar os anseios propagados pelos positivistas no século XIX.