Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Até 2004 os homossexuais eram proibidos de doar sangue no Brasil. Apesar da mudança, nota-se, infelizmente, que ainda a orientação sexual é um critério avaliado dentro dos hemocentros. Além do preconceito, a precária dissolução de informações sobre os procedimentos para doar sangue também dificulta a arrecadação. Nesse âmbito, percebe-se que o preconceito enraizado e a omissão das mídias comunicativas são os principais obstáculos para aumentar a doação do fluido.

É indubitável que, ao analisar a sociedade sob um viés histórico, há décadas a intolerância com a comunidade LGBT persiste no território nacional. Ao considerar a resposta feita por um dos entrevistados pelo Fantástico, cerca de 40 anos atrás em uma matéria social, é um exemplo dessa intolerância -“eu acho que eles não deveriam nem existir”-. Diante disso, essa enraizada visão conturbada ainda prejudica a coleta de sangue nos hospitais, visto que são evitados milhões de litros do fluido por ano ao selecionarem os doadores por parâmetros de orientação sexual, o que é inadmissível.

Convém destacar, também, que a insuficiente divulgação de como e onde doar é um empecilho para o crescimento do número de doações sanguíneas. De acordo com o filósofo Habermas, a comunicação é um mecanismo importante para o desenvolvimento social. Nesse raciocínio, uma vez que os cidadãos carecem de informações adequadas e objetivas para se tornarem voluntários, dificilmente o Brasil suplantará o ideal estabelecido pela ONU - 5% da população doadora -. Diante do exposto, urge que as informações sobre os procedimentos para doação sejam mais acessíveis aos brasileiros.

Infere-se, portanto, que o preconceito e a desinformação são impasses para a superação do baixo número de doadores da nação. Sendo assim, o Ministério da Saúde ,por meio de agente fiscalizadores, precisa controlar as restrições feitas contra a comunidade LGBT, para que o recomendado pela Organização das Nações Unidas possa ser atingido. Ademais, urge que a mídia, através de propagandas e redes sociais,  dissemine a importância da doação para as pessoas, a fim de conscientiza-las a se voluntariarem.