Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 27/10/2019

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa os obstáculos para doação de sangue no Brasil verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática. Esse cenário antagônico é fruto não só da negligência estatal, mas também do despreparo civil perante ao tema. Diante disso, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

A priori, segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar social da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas 1,8% da população brasileira é doadora de sangue. Isso ocorre devido à falta de atuação das autoridades responsáveis pelas campanhas de incentivo a doação, ocasionando a diminuição dos estoques de sangue, principalmente no inverno. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Outrossim, é válido ressaltar, conforme o escritor renascentista François Rabelais, “A ignorância é a mãe de todos os males”. De maneira análoga a esse pensamento, o despreparo civil figura-se como impulsionador do problema. Isso porque, mediante a ausência de uma orientação adequada, as pessoas não tem conhecimento de como funciona o processo de coleta de sangue, gerando assim a propagação de diversos mitos, como, por exemplo, de que doar sangue causa anemia ou que é possível contrair doenças no processo de coleta. Nesse sentido, nota-se que a ignorância citada por Rabelais somente corrobora para a continuidade do problema.

Portanto, medidas são necessárias para superar os obstáculos da doação de sangue na sociedade brasileira. Para isso, o Ministério da Saúde deve promover campanhas de conscientização da população sobre a importância da doação de sangue, por meio de propagandas na mídia de grande impacto – Rede Globo, SBT, Record – a fim de esclarecer às dúvidas que envolvem o processo de coleta e, consequentemente, aumentar o número de doadores voluntários. Feito isso, espera-se que à sociedade possa transformar os ideais iluministas em prática e não somente em teoria.