Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 28/10/2019
Em 1954 o primeiro transplante de órgão vital foi realizado. Tal conquista que viria a ser de importância inestimável trouxe novas formas de dar oportunidade de vida para quem precisa da doação de órgãos. Entretanto, no contexto atual, os brasileiros se mostram indiferentes a essa questão de modo que não há uma cultura de doação. De fato, é o retrato de um assunto considerado irrelevante pelo meio social.
Na gênese dessa mazela é necessário apontar a omissão governamental nessa problemática. Na óptica do sociólogo Zygmunt Bauman na sua teoria sobre as “Instituições Zumbi”, órgãos de massa, entre eles o Estado, deixaram de cumprir sua função social. Tal inoperância do aparato estatal, cimentada na falta de politicas públicas que visem o crescimento do número de doações, por conseguinte, corrobora com a permanência de um sistema que clama por doações. Ora, com um governo aquém as suas obrigações sociais, a mudança do cenário atual é utópico.
Outrossim, o embrutecimento da coletividade age como coadjuvante nesse processo. É fato que a coletividade não possui conhecimento do processo de doação de órgãos e com isso há a possibilidade de insucesso desse. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos 47% das famílias são contrárias à doação entre os motivos está a falta de conhecimento sobre a irreversibilidade da morte encefálica e isso, por tabela, dificulta o aumento de órgãos disponíveis para doação. Diante disso, é necessário mudanças estruturais no que se refere a doação de órgãos
Refletir sobre a situação das doações de órgãos no Brasil é, portanto, necessário. Urge que o Estado crie políticas públicas funcionais como campanhas de doações, melhorias na logística de doação e na distribuição de médicos capacitados com fito de mitigar essa problemática Ademais, é substancial que a mídia fomente ações que visem mudar a consciência popular por meio de panfletagem e comercias explicando como ser doador e a sua importância. Para que assim a conquista de 1954 seja enfim valorizada.