Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 28/10/2019
De acordo com Michel de Montaigne, pensador francês, a saúde é algo precioso e merece que empreguemos todos os nossos esforços para obtê-la. Porém, no contexto da arrecadação de sangue por doação no Brasil, esse empenho encontra obstáculos, seja por falta de pessoas dispostas a doar ou discriminação a doadores homossexuais. Logo, medidas governamentais hão de ser tomadas.
Mormente, é necessário frisar que a maioria das pessoas não são inclinadas ao altruísmo. Nessa perspectiva, Richard Dawkins, biólogo e escritor, afirma que o comportamento natural de cada indivíduo tende a beneficiar apenas ele próprio, mas, por meio da cultura, é possível influenciar atitudes de caridade. Sendo assim, é mister que se estimule a deixar de lado o próprio egoísmo para que mais pessoas doem sangue, pois, como diz dados do Ministério da Saúde, apenas 1,8% da população é doadora.
Ademais, o preconceito também é uma barreira à arrecadação sanguínea. Conforme o artigo 5º da Constituição Federal, “Todos são iguais perante a lei”. No entanto, homens homossexuais só podem doar sangue se estiverem em abstinência sexual por, no mínimo, 1 ano; rigor que não se aplica a homens heterossexuais. Alega-se que tal medida exista para evitar a transfusão de sangue infectado pelo vírus HIV, entretanto, este pode estar presente nos indivíduos independentemente de sua orientação sexual.
Destarte, o Ministério da Saúde, em parceria com os grandes veículos midiáticos, deve transmitir matérias televisivas sobre como doar sangue e a importância social desse ato, para estimular a população à doação. Além disso, o governo deve propor leis para que as exigências sejam a mesma para os doadores, independente de sua orientação sexual. Essas ações aumentarão o contingente de doares de sangue no país, promovendo a saúde, tão valorizada por Michel de Montaigne.