Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 28/10/2019

Segundo Franz Kafka, escritor alemão, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Diante desse cenário, um simples auxílio pode ser um agente transformador e salvar vidas, como ocorreu após o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco em Mariana (MG). Centenas de pessoas se mostraram disponíveis para enviar água e mantimentos para as vítimas que haviam perdido tudo com o desastre ambiental; diversas campanhas para a arrecadação de alimentos e outros, surgiram em diferentes pontos do Brasil. Em contrapartida, em outros casos, existem empecilhos que bloqueiam o processo de ser solidário, como acontece em relação a doação de sangue no país.

Em um primeiro instante, a escassez de informação favorece  o desconhecimento sobre a importância de doar sangue. Visto que as campanhas publicitárias não são frequentes e não possuem uma divulgação ampla à população, o número de doadores faz-se menor que a real demanda. Na Bahia, nos meses de fevereiro e junho, épocas marcadas por festividades como o Carnaval e Festas Juninas, consequentemente, maior consumo de bebidas alcoólicas e motoristas embriagados, o que faz com que os acidentes no trânsito aumentem. Ainda assim, a exposição deste problema pelos meios de comunicação e o incentivo a novos doadores são escassos.

Ademais, é visível a presença de empecilhos para a doação de sangue realizada por homens homossexuais. De acordo com a OMS, Organização Mundial da Saúde, até o final dos anos noventa, os cidadãos que possuíam relações homoafetivas faziam parte do denominado “grupo de risco” já que nos anos oitenta houve uma grande epidemia do vírus HIV. Neste sentido, o Brasil excluía a doação de homossexuais que tinham realizado sexo até o prazo de 12 meses. Todavia, a orientação sexual não poderia nem deveria ser o critério de seleção, mas sim a condição de saúde dos indivíduos, uma vez que a Aids também é transmitida por heterossexuais.

Sob esse viés, faz-se necessário superar as barreiras que interferem na doação de sangue. Portanto, os canais midiáticos têm papel imprescindível na exposição de dados informativos sobre as campanhas de sangue, seja na televisão e internet, seja em áreas físicas, como outdoors. Dessa maneira, os cidadãos seriam incentivados a exercerem a solidariedade. Somado a isso , o governo, em parceria com a OMS, deveria investir em aparatos tecnológicos que controlem com maior rigor os grupos sanguíneos, para avaliar se o indivíduo é portador de alguma doença e averiguar a qualidade do sangue. Dessa forma, o número de voluntários aumentaria e ajudaria aos pacientes que carecem de transfusão sanguínea.