Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 29/10/2019
Do Romantismo nacionalista de José de Alencar ao Modernismo explícito de Jorge Amado, vê-se a literatura a serviço das causas sociais. Realmente, escritores como esses retrataram como a sociedade pode ser uma barra de ferro que aprisiona o indivíduo. Nesse viés, tal conjuntura é representada atualmente, na medida em que os obstáculos para a doação de sangue no Brasil são óticas efetivas para a população. Assim, é pertinente analisar a mentalidade pouco contributiva entre os brasileiros e o aprofundamento do sofrimento de pessoas que esperam pela doação.
Em primeiro plano, é importante evidenciar a ausência de um pensamento contributivo com o próximo praticado pela população do Brasil. No drama “Laranja Mecânica”, de Anthony Borges, o protagonista Alex é submetido a um processo de “reeducação” social de forma massiva, despótica e desprovida de um real ensino. Com efeito, essa ação é cronicamente presente entre os brasileiros, na maneira em que os indivíduos não são educados para ajudarem outras pessoas com doações materiais e imateriais e, em decorrência disso, contribuem para atos individualistas durante toda a vida e perpetuam com práticas sem pensamentos sociais. Nesse sentido, são formadas pessoas com conceitos donativos explicitamente primitivos.
Em segundo plano, as dificuldades da população que esperam por doações sanguíneas são elevadas. Mergulhando nessa esfera, o filósofo francês René Descartes, em sua obra “Meditações”, revela que a alienação da sociedade frente às ideias irracionais ocasiona problemas estruturais para uma população. Por certo, essa teoria é exemplificada no Brasil, na forma em que, de acordo com o Ministério da Saúde, apenas dezesseis em cada mil brasileiros doam sangue, aprofundando, assim, os sintomas, sofrimentos e dores dos indivíduos que dependem do recebimentos de contribuições sanguíneas para continuarem a vida.
Tendo em vista a problemática debatida, fica evidente que medidas devem ser tomadas. Logo, cabe ao Ministério da Saúde -principal responsável pela manutenção da saúde social-, por meio de parcerias com empresas midiáticas, desenvolver políticas públicas nas formas de ações e campanhas que irão expor a importância da doação de sangue no Brasil e a diferença que ela pode gerar na vida de pessoas que necessitam, com o objetivo de diminuir a mentalidade pouco social dos brasileiros e salvar a vida de portadores de problemas hemofílicos, a fim de estimular uma sociedade mais justa e saudável. Com essas ações, o aprisionamento do brasileiro em barras de ferro poderá, com o tempo, ser revertido.