Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 31/10/2019

Hemostase

Na visão do filósofo grego Pitágoras, “os homens são miseráveis porque não sabem ver nem entender os bens que estão ao seu alcance”. Nessa esteira, tem-se, a partir da Terceira Revolução Industrial, a negligência perante as novidades tecnológicas da Era Informacional como fator preponderante dos empecilhos da doação de sangue no Brasil. Dessa forma, além de não saber utilizar-se dos recursos disponíveis, o homem traz consigo as consequências do descaso; decerto, a construção instrutiva do imaginário popular pelo Estado pode estancar tal hemorragia sistêmica.

Primeiramente, é importante destacar que, em função do baixo fluxo informacional midiático, há um déficit na arrecadação de unidades de sangue nos postos e áreas de saúde Brasil afora. Nesse sentido, ocorre a concentração de doações nos dados do Ministério da Saúde em apenas 2% da população brasileira - situação abaixo da faixa ideal de 5%, consoante a Organização das Nações Unidas (ONU). Sendo assim, observa-se a necessidade de estímulo ao ato, seja por vias capitais em casos mais extremos ou propagandísticas e logísticas nas maiorias dos locais de realização do procedimento.

Além disso, é evidente o efeito causado nas instâncias da vida de milhares de brasileiros por conta do despreparo governamental. Dessa maneira, cidadãos dispostos a doar sangue enfrentam o sucateamento da estrutura de muitos hemocentros, além da desqualificação dos profissionais envolvidos no processo. Em um episódio da série televisiva Grey’s Anatomy, são evidenciadas tais dificuldades: no hospital em que a personagem Alex trabalha, funcionários sem conhecimento médico básico demonstram a ausência do poder público na preparação desses. Corrobora-se, assim, um ciclo mortal de doadores desacreditados e pacientes carentes do fluido que deveria salvar suas vidas.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para que a informação acerca do processo doador em hemocentros chegue às mais variadas áreas da sociedade, o Ministério da Saúde deve, a partir de verbas governamentais, criar propagandas frequentes e diversificadas de estímulo à doação de sangue por veiculação midiática em canais abertos e redes sociais. O órgão deve, ademais, pressionar o Senado Federal através de abaixo-assinado para que o projeto de lei que visa recompensar financeiramente doadores entre em vigor. Por fim, deve realizar parceria com o Governo Federal para realizar, dentro do projeto, a melhoria de hospitais e hemocentros, para que recebam verbas para aparelhagem e qualificação da equipe profissional, com bonificações capitais aos que cumprirem prazos e exigências. Somente assim, é possível entender os bens que rodeiam o homem e ativar a coagulação da corrente de moléstias que o cega.