Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 31/10/2019

A descoberta de penicilina, no século XX, foi um dos mais importantes avanços da medicina moderna, a qual possibilitou a sobrevivência de muitas pessoas. De forma análoga, em momento posterior, o desenvolvimento da técnica de transfusão sanguínea trouxe benefícios semelhantes que, no Brasil, não são usufruídos adequadamente, devido ao pequeno quantitativo de doadores de sangue. Logo, é preciso agir de maneira a superar os obstáculos dessa problemática, entre os quais se destacam a inércia da população e a insuficiência de campanhas.

A princípio, convém ressaltar, como propulsora do problema, a pouca participação da população. Segundo dados divulgados pela BBC Brasil, menos de 2% dos brasileiros, entre 16 e 69 anos, são doadores de sangue. Essa informação revela que a comunidade, por conta própria, não contribui para a resolução do entrave. Desse modo, são necessárias mudanças nesse comportamento, que vai de encontro ao pensamento proposto por Hans Jonas, no qual todos devem agir de maneira a propiciar o bem comum.

Outrossim, observa-se que as campanhas publicitárias não têm alcançado resultados satisfatórios. Apesar do aumento no número no número de bolsas coletadas entre 2013 e 2014, relatado pelo Ministério da Saúde, essas ainda não são suficientes para manter os bancos de sangue brasileiros abastecidos de forma adequada, uma vez que, de acordo com a ONU, as doações do fluido, no país, não atingiram níveis ideais. Nesse sentido, vê-se a necessidade de adotar novas estratégias.

Destarte, é notório que o empecilho requer medidas urgentes para sua resolução. Portanto, cabe ao Poder Legislativo, por meio de emenda constitucional, tornar dever legal do cidadão adulto (aos moldes do alistamento militar obrigatório), para utilização de serviços públicos, a doação prévia de sangue, a qual deve ser refeita a cada 3 anos, respeitadas as condições especiais de cada indivíduo. Essa ação tem o fito de manter os hemocentros nacionais bem abastecidos, com o intuito de que sempre haja fluido em reserva, para casos de emergência. Assim, os avanços da medicina moderna, no tocante às transfusões, promoverão seus benefícios plenamente no país.