Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 02/03/2020

Durante a Idade Média, era de consenso científico que a causa de grande parte das patologias e, consequentemente das mortes, era o excesso de líquido, ou seja, de sangue no organismo. Retornando ao século XXI, sabe-se que a realidade é justamente oposta: a infusão deste fluido em enfermos, a depender da situação, é capaz de salvar vidas. Uma grande parte da população brasileira, entretanto, ainda tem receio de doá-lo, seja pela questão cultural ou pela escassez de informação.

A  priori, a primeira metade do século XX foi marcada tanto por sangrentos conflitos bélicos, como a Segunda Guerra Mundial, quanto por um crescente espírito de patriotismo, que juntos contribuíram para uma cultura de doação de sangue, pois aqueles que lutam em nome de um país e são feridos precisam de uma transfusão, e os civis, que não arriscam suas vidas, doam e transmitem a seu círculo social a importância desse ato. Porém, tal realidade não se fez presente no Brasil, devido ao fato de que da mesma forma forma em que sua participação nesse tipo de pugna foi ínfima, não houve grandes campanhas de incetivo durante a época.

Concomitante a isso, uma vez que a divulgação da ideia é pouca e ineficiente, por conseguinte informações acerca do assunto são passadas de maneira equivocada, o que reflete na hesitação da sociedade brasileira, fato esse devidamente comprovado pela OPAS, que em uma pesquisa indicou que apenas 59,52% dos doadores no Brasil são voluntários, o que demonstra que, em quase metade dos casos, o sangue armazenado já possui um receptor predefinido, situação essa causada por diversas afirmações falsas que são transmitidas, a exemplo de que doar sangue vicia, amedrontando, assim, contribuintes em potencial.

É necessário, dessarte, uma forma na qual as adversidades acerca da doação sanguínea no Brasil se extingam, cabendo ao Ministério da Saúde elaborar cartilhas com a desmitificação das falácias mais comuns, além de palestras e debates com especialistas, doadores e pessoas que tiveram suas vidas salvas pelas transfusões que expliquem como o processo ocorre de fato e tirem dúvidas dos ouvintes, ambas as ações levadas às escolas e aos ambientes públicos, principalmente os hospitais, para que a sociedade brasileira se torne devidamente instruída acerca desse assunto e, dessa maneira, a cultura da solidariedade possa então ser transmitida a todos.