Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 27/04/2020
Machado de Assis, em suas obras realistas, teceu críticas à sociedade brasileira e aos comportamentos egoístas e superficiais que a caracterizam. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange aos obstáculos para a doação de sangue no país. Isso ocorre tanto pelo individualismo quanto pela falta de conhecimento. Assim, cabe a análise acerca de tais fatores para possível solução.
A priori, é válido ressaltar que a ausência de empatia pode diminuir, na população, a compaixão e a solidariedade com o próximo. No conhecido livro “Modernidade Líquida”, de Zigmunt Bauman, é defendido que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo é evidenciada no que diz respeito às dificuldades para obter doadores de sangue no Brasil, já que a camada social não afetada pela necessidade da doação é atraída para sua zona de conforto. Desse modo, os indivíduos que não precisam, e até o momento nunca precisaram, do auxílio da população nesse aspecto, tendem a não ajudar até que vivenciem a mesma situação.
Outrossim, é indubitável que a falta de conhecimento é prejudicial para a compreensão de vários assuntos. Para o filósofo Arthur Shopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Nesse sentido, se o indivíduo não possui acesso à informação séria, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema. Dessa maneira, o inacesso às questões referentes à doação de sangue relaciona-se, diretamente, com a baixa quantidade de doadores, uma vez que a importância e a necessidade de contribuir não é informada de forma significativa.
Infere-se, portanto, que medidas são proveitosas para solucionar os fatos discutidos. Logo, urge que o Ministério da Cidadania, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolva palestras, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais. Tal atividade deve ser direcionada aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento deve ser aberto à comunidade e divulgado nos principais meios midiáticos, a fim de alcançar um maior número de pessoas. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, com o intuito de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática corriqueira na sociedade brasileira. Dessarte, o conhecimento acerca da doação de sangue, bem como a importância de contribuir, estará presente no entendimento da população, contradizendo à caracterização dada ao Brasil, por Machado de Assis.