Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 26/04/2020
A série médica “Greys Anatomy” apresentou em um de seus episódios, uma personagem impedida de doar sangue devido a um estigma religioso. De maneira análoga, ainda hoje no Brasil, homens homossexuais não podem ser doadores de sangue, devido ao pensamento preconceituoso da população. Nesse contexto, torna-se evidente que o impedimento de doações voluntárias e o descaso do Estado quanto ao impasse, são obstáculos para doações sanguíneas no país.
Em primeira análise, é relevante mencionar o interesse de parte da população em contribuir com o abastecimento dos hemocentros brasileiros, no entanto, uma quantidade significativa desses voluntários são descartados por serem homens homossexuais e assim, considerados doadores de alto risco. Segundo o IBGE, cerca de 10% dos homens brasileiros são gays ou bissexuais, assim quando sua doação sanguínea é refutada por um estigma, sem comprovação biomédica de sua sorologia para HIV, os hemocentros são significativamente prejudicados.
Somado a isso, o Estado não tem dado a devida importância ao assunto. Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) adiam as votações que regularizariam a doação desses voluntários, e mesmo com campanhas de grandes movimentos como o “Equalblood”, nenhuma medida foi tomada. Assim, fica claro o descaso do governo para com questões de saúde pública, em um país onde a expectativa tem aumentado e consequentemente o número de procedimentos médicos que demandam transfusões sanguíneas.
Logo, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Saúde, em conjunto com o STF, regularizar o direito de homens homossexuais serem doadores, por meio de uma proposta de lei, que visa a ampliação de possíveis voluntários, e a introdução de uma triagem mais rigorosa, com testes rápidos de HIV antes da coleta. Dessa forma, é possível superar alguns dos obstáculos para a doação de sangue no Brasil.