Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 17/05/2020
Em 2015, a quantidade de sangue disponível nos locais de coleta no Brasil foi o menor nos últimos dez anos, segundo dados do site G1. Esse fato demonstra a fragilidade do sistema público de saúde, a qual por falta de investimentos em programas educativos de estímulo à doação gera o principal problema do país: desconhecimento acerca da importância de doar sangue. Assim, observa-se a necessidade de analisar os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.
A princípio, vale ressaltar o progresso obtido na luta para assegurar o direito à vida. Mário de Andrade, importante poeta brasileiro, diz: “o passado é lição pra se meditar, não para se reproduzir”. Tal assertiva faz referência ao período de 1940, quando o transplante de sangue era considerado uma mercadoria de elevado valor, ou seja, apenas pessoas de altas classes sociais podiam aquiri-lo e, por conseguinte, a distribuição de sangue era desigual, levando milhares de indivíduos à morte. Por tudo isso, ocorreu a criação do Artigo 197 na Constituição Federal do Brasil, o qual baseia-se não somente na proibição da compra e da venda de sangue, mas também na sua distribuição igualitária entre a população independente da renda do cidadão.
Ademais, é indispensável destacar os obstáculos enfrentados para aumentar o número de bolsas de sangue disponíveis nos Hemocentros. Nesse sentido, semelhante ao ocorrido em 2015, inúmeros hospitais estão possuindo volume de sangue para uso cirúrgico abaixo do nível necessário. Isso ocorre devido a falta de incentivos pelo Ministério da Saúde em palestras, gincanas escolares e propagandas midiáticas capazes de alertar a população sobre a importância da doação de sangue - algo grave, tendo em vista que não investir em projetos sociais de conscientização capazes de incentivar o aumento do número de voluntários para doar sangue vai em desencontro com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo objetivo é garantir o direito à saúde a todos os brasileiros.
Depreende-se, portanto, que ações a favor do conhecimento sobre a doação de sangue devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Saúde, órgão responsável por garantir o acesso à saúde pública no país, deve investir em propagandas de educação social de estímulo à doação de sangue, por intermédio da transmissão de aulas gratuitas nas principais redes sociais utilizadas pelos brasileiros, com o objetivo de sanar dúvidas acerca do processo de transmissão de sangue desde o doador até o receptor. Somado a isso, cabe ao Ministério da Educação tornar possível o surgimento dos “multirões da conscientização”, por meio da disponibilização de locais e horários em amplo território nacional, onde o estudante e sua família poderá ter acesso às orientações sobre a sua possível participação na doação de sangue.