Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 12/05/2020
É sabido que a evolução das técnicas científicas proporcionam uma melhor qualidade de vida aos indivíduos de uma sociedade. O desenvolvimento do processo de transfusão de sangue, por exemplo, outrora feita em animais, favoreceu a organização dos centros de armazenamento de sangue e, assim, o crescimento do número de doadores e receptores. Contudo, no Brasil, a quantidade de pessoas que doam sangue está distante da meta estabelecida pela Organização Mundial de Saúde, devido à herança cultural e sua consequente falta de conscientização.
Para Weber, um dos fundadores da sociologia, o homem constrói significados de acordo com as relações sociais e históricas; isso indica que os indivíduos são orientados por hábitos enraizados e costumes que se reproduzem. Nos países europeus, por exemplo, a cultura de guerra, segundo estudiosos, certamente ampliou a tradição de doar sangue voluntariamente. Em contrapartida, países neutros ou infrequentes em guerras como o Brasil, onde os doadores até a década de 80 eram remunerados, possuem uma parcela menor de doações. Ou seja, para o brasileiro, doar sangue de maneira altruísta e não egoísta é uma realidade incomum.
Percebe-se, ainda, uma lenta mudança da mentalidade social da maioria dos indivíduos da nação brasileira no que diz respeito à doação de sangue. A ideia de que ‘‘doar sangue é doar vida’’ ainda não está clara na mente da maioria dos brasileiros; realidade esta agravada pelos mitos, como, por exemplo, o pensamento de que pode-se contrair alguma doença na coleta, ainda perpetuados devido à insuficiente transmissão de informações claras e objetivas.
É, portanto, necessário que se mantenha um processo contínuo de elaboração e efetivação de políticas que minimizem os obstáculos existentes e acresçam o número de doações. Logo, é essencial que o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia e escolas, crie campanhas de incentivo à doação de sangue regular e voluntária, desenvolvendo atividades elucidativas para crianças, a fim de que estas cresçam conscientes de que a doação de sangue é um ato precioso e necessário, promovendo meios fiscalizar e controlar a disseminação de notícias falsas que sustentam os mitos, e motivando aqueles que não se encaixam nos requisitos estabelecidos a incentivarem outros a realizarem doações. Assim, a quantidade de doadores altruístas será maior e mais vidas poderão ser salvas pela ciência.