Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 18/05/2020
Sabe-se que, o Brasil, dentre outros, possui um calendário tipicamente festivo. Dito isso, fica clarividente que o consumo de álcool torna-se mais comum entre os brasileiros nesses períodos, o que corrobora com a baixa da coleta de sangue para doação. Além disso, a falta de empatia e mitos sobre a problemática faz com que o índice de doadores seja relativamente baixo, mas isso não quer dizer que há pouca doação, apenas significa que poderia haver mais doadores. Ademais, a partir de 1991, uma lei provisória foi decretada pelo Brasil, onde homossexuais não poderiam fazer doações, gerando, dessa forma, mais obstáculos para engendrar formas de acabar com tais imbróglios.
Segundo dados da ONU, o país, apesar de coletar o maior volume de sangue em termos absolutos na América Latina, doa proporcionalmente menos do que outros países da região, como Argentina, Uruguai ou Cuba. Isto deve-se, dentre outros fatores, pelo consumo de bebidas alcoólicas em datas comemorativas, a exemplo do Carnaval, São João e Natal, quando a aglomeração de pessoas torna-se mais comum. Portanto, devido aos requisitos mínimos estabelecidos pelos hemocentros e postos de coleta, nesses períodos do ano o número de doações e bolsas de sangue diminuem, haja vista que o índice de acidentes de trânsito e brigas graves são crescentes.
Outrossim, para Júnia Guimarães Mourão, presidente da Fundação Hemominas, hemocentro coordenador do Estado de Minas Gerais, o volume de sangue doado está relacionado “à cultura dos países”. Sendo assim, fica evidente que mitos como a adicção de doenças, vícios e o aumento de peso, junto à ausência de empatia pelo próximo, são gerados pela falta de informação sobre a necessidade do ato de doar sangue, o que dificulta o aumento de voluntários. Vale ressaltar que, a lei provisória que impedia voluntários homossexuais de doar, foi abolida em Maio de 2020, quando o STF contrariou a Anvisa, que citava dados epidemiológicos da OMS para justificar a restrição.
Dados os argumentos acima, resta discutir meios que possam diminuir tal problemática no Brasil. Faz-se imperativo que, hemocentros e postos de coleta, aliados ao Ministério da Saúde, promovam campanhas sobre a importância da doação de sangue, como também, priorizem os períodos que antecedem datas festivas, com o intuito de obter o estoque necessário para tais temporadas e possam atender a maioria dos pacientes que precisam de sangue com urgência. Por conseguinte, a mídia, aliada às instituições de ensino, promovam debates, palestras e seminários sobre a doação de sangue, seus obstáculos e formas de doar, com finalidade de conscientizar a sociedade de que segregações e mitos impedem que vidas sejam salvas através das doações. Desta forma, o número de doadores e conscientes coletivos serão elevados e a possibilidade de um novo amanhã para muitos será possível.