Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 26/05/2020

Os limites da solidariedade

De acordo com o filósofo Immanuel Kant, existem deveres universais para cada indivíduo que, utilizando a razão, pode questionar e escolher seus princípios pela sua vontade e consciência moral. Assim, cada ação deve ser correta e estar correspondendo ao dever para que o ser seja digno de felicidade. Desse modo, os obstáculos para a doação de sangue tornam-se um impasse, pois atos de solidariedade estão dentro da lei moral universal.

Em primeira análise, no Brasil, perdura uma restrição à doação de sangue, baseando-se na orientação sexual do voluntário, pois homens homossexuais tem que passar um ano sem praticar relações sexuais para seus sangues serem coletados. Sendo assim, a justificativa da limitação é proteger o receptor da transfusão de possíveis infecções. No entanto, trata-se de uma medida discriminatória, já que a identidade dos indivíduos não deve ser usada como critério para execução de um ato solidário.

Em segunda análise, ideias errôneas sobre a doação de sangue circulam entre a população devido à falta de informação e carência da divulgação de sua importância através de campanhas. Nesse contexto, vários mitos em torno dessa ação são disseminados, como a teoria de que engordamos depois de doar. Assim, somam-se esses aspectos às demais restrições que impossibilitam a contribuição dos voluntários, resultando em um desfalque considerável nos estoques de sangue.

Em suma, para cumprir com o dever moral, como relata a filosofia de Kant, ao ajudar o próximo e ser capaz de salvar vidas, certas medidas que aumente o voluntariado nas coletas de sangue precisam ser tomadas. Então, urge que o Ministério da Saúde promova campanhas publicitárias de incentivo à doação e altere os critérios de seleção de doador em relação aos homossexuais. Além do mais, o Ministério da Educação deve propor a discussão do assunto nas instituições de ensino, assegurando a continuidade da solidariedade.